Só minha esta efeméride

beijoefemeride

Beijar teus olhos
e, neste beijo,
olhar teu beijo
no meu queixo...

Sentir tua boca
e, nesta sensação,
morder teu sentir
a me invocar tesão...

Dia a dia,
noite a dentro,
adentro tua boca
e, nesse céu vermelho,
divulgo às estrelas
os eclipses do meu prazer...

Quero-te beijar
todos os dias,
demarcadamente,
sem marcas do tempo;
livremente,
na prisão do teu encanto...

De repente, caio,
v-e-r-t-i-g-i-n-o-s-a-m-e-n-t-e,
tal um cometa, cuja cauda incauta
se destrói e reconstrói
d-e-l-i-c-i-o-s-a-m-e-n-t-e
ao sabor da tua língua...

Quanto tempo mais,
para sentir-me dúbia,
transar, em eflúvio,
meu anjo e meu demônio?
Efeméride, para mim?
Ah!... Só a encontro no teu beijo!

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Sílvia Mota - "Poeta do Amor e da Paz".
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Peace Ambassador in Universal Ambassador Peace Circle - Fait le 16 novembre 2009.
Cônsul dos Poetas Del Mundo - Cabo Frio.
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Cabo Frio, 29 de novembro de 2009 – 17:20h.

Preciso dizer-te

Não te iludas
ao meu canto:
o encanto
deste pranto
não é teu
nem meu...



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Sílvia Mota - "Poeta do Amor e da Paz"
Cônsul dos Poetas Del Mundo em Cabo Frio
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Cabo Frio, 3 de novembro de 2009 – 14:27hs.

Convite para um café da manhã

indeclinável!

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Jaz nesta madrugada, um corpo meu, sem leito de amor,
Amor secular, daqueles que se entregam em desvario,
Infinitamente, aos beijos de prazer, que não se compram nas esquinas...
Mordem minhas vísceras, as saudades de cada lembrança esquecida
Em meus sentidos mais intensos, ou, talvez, escondam-se ao pudor da sedução...

Vem... vem... vem... tomar comigo um café da manhã...
Arrumarei meus cabelos ao desejo que expressares nos teus beijos,
Lançarei ao vento teu passado de agonia, mas traz alguns versos escondidos
Entre as rosas vermelhas daquele bouquet, que enfeitará de céu o meu sorriso...
Num vai e vem de sonhos e de flores, saberei mostrar-te meus olores,
Transbordarei na tua xícara, como se fosse a paz do amor que não mais sei onde escondi
E, minha boca te degustará, por inteiro, como se o fizesse a um pão francês quentinho...

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Sílvia Mota - "Poeta do Amor e da Paz"
Cônsul dos Poetas Del Mundo em Cabo Frio
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Rio de Janeiro, 2 de novembro de 2009 – 2:12hs.

Completamente, perdida!

mulherinterrogacaopeito

Sei os caminhos dos nossos beijos
e os espaços molhados
por onde descansam nossas línguas.
Sei por onde cansar minhas mãos
e os lugares preferidos
dos teus desejos proibidos.

Sei, tudo!
Sei?
Sei, mesmo?
?
?
?

NADA!
SEI NADA! NADA DE NADA!
A única certeza que tenho de ti
é a de que nada sei de mim em ti!
Nem ao menos o que encontrarei escondido
por entre as dádivas incandescentes
(ou indecentes?)
das tuas coxas entreabertas...
Amor ou prazer? Ou os dois?
Entendo de ação, mas... e do teu coração?

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Sílvia Mota - "Poeta do Amor e da Paz".
Peace Ambassador in Universal Ambassador Peace Circle - Fait le 16 novembre 2009.
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São Paulo, 24 de novembro de 2009 - noite de chuva intensa

Provoca!

nudez

Meus poemas
e lemas,
nascem de ti,
bem-te-vi!

Meus convexos
e nexos,
encaixam em ti,
hoje vi!

Meus orgasmos
e espasmos,
guardo prá ti,
não menti!

Sou quase carioca,
charmosa dondoca.
Te quero, beijoca,
em saudosa maloca...
Hummm! Preferes na Mooca,
ou Aveiro, com fado e pipoca?

Provoca!
Avoca!
Foca!
Minha pernoca,
em tua engenhoca,
sufoca?

Favor... não me troca!
Suplico... me toca!

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Peace Ambassador in Universal Ambassador Peace Circle - Fait le 16 novembre 2009.
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São Paulo, 23 de novembro de 2009 – 6:55h.

Desejo em mim poeta

coracaomao

Que esta inspiração,
quando morrer meu corpo,
finque-se no verdejar dos campos,
e, a florescer, na forma de Esperança,
permita-se colher às dores da Saudade.

Que este coração,
quando morrer meu corpo,
reparta-se além-mundo
e, parte a parte, espalhado ao léu,
desdobre-se ao sol, em cânones de Ação.

Que esta boca,
quando morrer meu corpo,
desbrave o sigilo da voz, então calada
e, numa dança do ventre, ao som da natureza,
seduza em beijos luz, as fontes do Amor.

Que estas células,
quando morrer meu corpo,
transformem em vigor, o curso das estrelas
e, num rastro de luz, a demarcar caminhos,
consintam o chamego da Vida à doce Paz.

Que todos os amores,
quando morrer meu corpo,
apreendam-me a Vida, entendam-me na Morte,
pois, se a um verso só, morrer por seus amores,
à luz do mesmo verso, revivam-me aos meus Sonhos!

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São Paulo, 22 de novembro de 2009 – 02:19h.

Teu vinho na minha taça

fogovinho



Se me beijas a taça,
bebo-te o vinho...
Mas, sobre as chamas ardentes
desta embriagada paixão,
jamais descobrirás meu segredo...

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São Paulo, 21 de novembro de 2009 – 23:14h

No teu aço me asso

Podes ser lasso
se não te enlaço,
mas, ao meu laço,
és, sempre, lasso!


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Quadra.
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Cabo Frio, 9 de novembro de 2009 – 15:52hs.

Meus Fantasmas queridos... perdidos...

silviafantasmas2



Certos fantasmas ousam vir a mim...
Inda arrogantes, chegam do passado,
a gritar meu nome, às noites de luar...
Em correntes de peso, ruidosas,
embalam seus delírios imorais,
arrastam pelo chão, a eternidade,
que já não cabe no castelo verde
onde escolhi viver pelos meus dias.

E então, feliz, à luz do dia, lindo,
visto o avental curtinho e todo branco,
demarco a cintura em lindo laço,
preparo iguarias saborosas,
retiro da adega, nunca usada,
o vinho, safra antiga e requintada...
Espalho, assim, ao chão vitrificado,
rosas vermelhas lindas, perfumadas...

Depois, subo ao meu quarto,
desfolho minha flor ao banho quente,
enfeito-me de rendas, pelo corpo
e, de cetim, a cama que me aguarda...
Perfumo, ao espelho, meus cabelos,
deixando-os rolar por sobre os ombros
e, por ali, na solitude do entre sonhos,
entrego-me, servil, aos meus poemas.

Quando amanhece escuto o dia pleno,
aos pássaros, que trilam à janela.
Meu Poetrix se esgueira, apaixonado,
fareja o quarto inteiro, o cão de guarda,
e, ao sentir-me fiel, lambe-me os pés,
descendo, junto a mim, pelas escadas,
à busca de outro dia de emoções.
Bem lenta... nenhum medo ou desdém...

Percebo as iguarias devoradas,
as taças de cristal pela metade
e, tudo, enfim, assim.... ao meu desejo...
Aos meus fantasmas todos, um a um,
permito-lhes me olhar, sou bela e pura,
cedo à vaidade fêmea, mas não me toquem,
pois jazem noutro plano, de amargura,
distante do meu céu, que é só ventura!

Fantasmas que amei... inda estou viva!
Retornam toda noite, sei que voltam...
Penetram-me as paredes, querem ninho,
mas, ao intuírem fria indiferença,
mergulham nas paredes, vão-se embora...
Fantasmas que amei... inda estou viva!
Se, hoje, vagueiam dúbios, noite adentro,
encontro-me em paz, por teus pecados!


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Cabo Frio, 8 de novembro de 2009 – 21:15hs.

Acre nudez

mulhernuainfinito



Nua
quase em nó.
Nua
de dar dó.
Nua
sem nem filó.
Nua
sabor de jiló.
Nua
pó.
Nua
em mó?
Não!
Nua
Nua
Nua
Só...


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Cabo Frio, 7 de novembro de 2009 – 8:30hs.

Perigo iminente

euluz



A porta que se deixa,
inflexivelmente,
aberta, ao desatino,
em alguns casos,
amputa pernas e braços,
ao bater dos ventos...

A porta que se fecha,
cuidadosamente,
precavida, às invasões,
nem de longe,
obriga a um não te quero
ou a um nunca mais...


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Rio de Janeiro, 2 de novembro de 2009 – 17:13hs.

A seiva dos teus versos

euflorescaindo



Se te fores de mim,
resgatarei ao vento o lastro do teu estro
para anexá-lo, ao som de um bolero,
no céu, em cada estrela, onde adormeces...
Reclamarei aos empíreos, meu triunfo,
de ter, em serenata, o canto azul-celeste,
daquele que encanta meu destino,
e assovia assombros de prazer
aos meus ouvidos – sonho ao meu viver!

Se de ti eu me for,
esparzirei ao vento o rastro do meu cio
e, quando me encontrares, ao faro do prazer,
pelo inconstante brilho dos meus olhos,
em fúria arrastarás, meu corpo em esplendor,
aos pelos ardilosos, presos ao teu corpo...
Ao dedilhar-me, em rimas, teus desejos,
meu lombo forte e teso se arqueará,
ajoelhando-se, para sempre, aos versos teus!


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Rio de Janeiro, 1º de novembro de 2009 – 6:02hs.

Ser poeta... é isso, mesmo?

olhosverdesmascara

Levito - um ser encantado,
agito asas e alço vôo,
desvendo o infinito pleno,
perco-me por entre os mundos,
talvez, nem queira voltar...

Planto na terra um aroma,
rego prá ver as raízes
daquele sonho brotar,
mas, quase cedo, à agonia,
por não vê-lo despontar...

Sendo divina e maldita,
sei poder de sedução,
sei perigo do extermínio,
pois, num afago à caneta,
imprimo-lhe a direção...

Impossível compreender-me!
Se ora, adormeço tristonha,
não sei bem qual a razão...
acordo, assim, tão ditosa,
sem nem saber o por quê...

Adoro valsa vienense,
namoro um verso que é teu...
Mas, sucumbo à tristeza,
se ao teu retrato me inspiro
e adormeces sem me ler...

E, porquanto tudo disse,
sendo louca ou paranóica,
juro, por todos os deuses,
não consigo imaginar-me,
outro ser, sem ser poeta!


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Rio de Janeiro, 31 de outubro de 2009 – 18:24hs.

Nostalgia... de quê?

euobradearte-2

Ai! Que saudade candente,
saudade sem dor, sem ferida!
Saudade de um sonho sentido,
de um sonho que nunca nasceu
e, por tal, nem se perdeu!
Saudade do beijo escondido
no sei nem quê do meu ser,
saudade da vida atrevida,
que me impelia ao prazer!
Ai! Que saudade candente,
saudade sem dor, sem ferida!
Saudade de quê, se nem eu sei!

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Rio de Janeiro, 31 de outubro de 2009 – 4:07hs.

Dançando com teu perfil ao fado da madrugada...

eubrilhando
Meu desejo provocante
desliza pela tua testa,
a caminho da luz dos teus olhos
e minhas sementes dementes
perguntam-se: para onde vai esse olhar?

Minha língua voraz
contorna o teu nariz,
em direção ao sol nascente
e minhas pétalas recém nascidas
desaguam na tua boca, a sugar-te o mel...

Meu nariz resvala-se ao teu,
foge para teu queixo
e o caule ereto do meu deleite
brinca de esconde–esconde com o teu,
até molhar de mar os lóbulos das tuas orelhas...

Chego ao teu pescoço...
e reluto sair... nada mais quero,
a não ser por ali repousar, no langoroso torpor
das flores que embalam e se perdem,
sem desejarem, encontrar nada mais, nunca mais...

Perco-me ao fero fado desses versos meus, só teus,
volto a buscar-te... nada mais... é vão o meu desejo...
Pelos anais da vida, que transponho ao léu,
lamento a perda santa, de um momento, o céu...
e, o rosto que perdi, ao vento: prá qual estrela, prá qual luar, se foi?


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Rio de Janeiro, 31 de outubro de 2009 – 00:52hs.

Em ti me faço, desfaço e refaço!

indeclinável!



Ao teu abraço,
aperto de aço,
presa num laço,
braço e antebraço,
não abro espaço
prá outro corpaço
de sol, bem negraço...
Em ti, me faço!

Ao teu espaço,
sou pura, cabaço,
consigo, te faço,
estardalhaço,
te viro melaço,
me viro bagaço,
liquefaço...
Em ti, me desfaço!

Ao teu regaço,
nesse peitaço,
me satisfaço,
de novo, te traço
no chão do terraço,
vermelhaço,
arregaço...
Em ti, me refaço!

Ao fim, nós dois... ao cansaço...


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Cabo Frio, 26 de outubro de 2009 – 13:27hs.

nada é perfeito - 3/11/2009


Realidade:
tu em mim.
Felicidade:
eu em ti.

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Cabo Frio, 3 de novembro de 2009 – 14:49hs.

Mãos de Fada ou de Fera?


Rebolo ao sonho teu, ziguezagueio,
espero-te nervosa, noite adentro,
para ao vinho estonteante dos teus versos,
subir insana aos céus, jogar-me à Terra,
a me adornar vaidosa, toda inteira,
c’oas mesmas mãos, que, em mim, ora sublimas...
Mas... nesse império feito de quimera,
pergunto-me - desnuda - Fada ou Fera,
imploram minhas mãos, os teus instintos?

A serem mãos de Fada - os teus anseios -
aprenderei magias e mistérios,
que se escondam nos mares, tão rebeldes,
ou se esbocem à luz do luar incerto...
E, sob a graça toda do meu canto,
seduzirei teu ser, a cada noite
e em sortilégios santos, serei tantas,
pois em distinta Fada, a cada encontro,
incendiarei a alcova, dos teus sonhos...

A serem mãos de Fera – os teus desejos -
cavalgarei, fogosa, em minha sina,
farejarei os rastros dos cometas,
à procura de todos os segredos,
daqueles mais intensos, nunca vistos...
E, a cada malvadez, que em ti conspurque,
vermelho por vermelho, garra a garra,
fincar-te-ei meus dotes, pouco a pouco,
a envenenar-te a boca, em doces beijos...

Imploro-te, decidas, se me queres
a mais singela Fada ou ardente Fera...
Não deixes que me afogue em fantasia
e, unindo-me à pureza e ao vil pecado,
seja-te Fada e Fera, ao mesmo tempo...
Será tamanho o enlevo desse mito,
que não suportarás, tanto prazer
e, incidirás ao chão, morto, ao desdém,
de nunca imaginares meus talentos...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 19 de outubro de 2009 – 3:00hs.

A foto em tom azul de um poeta sonho...

Essa foto, em tom azul,
que expões, assim, assim,
ao meu olhar,
fala sem falar...
e permanece a me olhar...
E eu, que me sinto poeta,
nem consigo expressar
a sensação de paz,
beleza,
nobreza,
nudeza,
inteireza,
e, por que não dizer...
pureza...
que sinto ao fitá-la,
a provocar os meus sentidos todos,
enobrecida, ao som dessa música,
que, também, não sei,
por qual razão,
instiga as labaredas
da minha imaginação...

Preciso dizer-te...
elogiar-te...
mas, não sei bem como direi...
nem se, ao menos, te direi...
não sei...
Preciso dizer-te...
mas, não sei se devo...
pensarás, talvez,
tão mal de mim...
E, se aprendi contigo,
o perigo da palavra,
é razoável pensar,
antes de falar...

Continuo a olhar
a cor azul do teu azul
e, não mais consigo resistir...
Embriago-me, portanto,
em vinhos que não bebo,
para navegar no paraíso,
entrevisto,
nesse semi-sorriso
e, também,
para voar pelo infinito céu
do teu olhar infindo...

Escolho as palavras,
mas, tremem, todas elas,
todas, juntas,
à mística força do teu olhar...
Temo que, assustadas,
deslizem pelo teu pescoço,
a rolar-te ao peito...
e, sem querer,
façam-te cócegas de prazer,
em lugares proibidos,
onde não lhes autorizei
invadir ou sentir...

Pensei melhor... não falarei...
Sinto por bem calar
e, somente, te olhar...
te olhar e sonhar...
Quando e SE criar coragem,
enviarei uma mensagem,
a elogiar tua imagem,
nesse momento,
cativa de mim...
em mim...
por mim...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 18 de outubro de 2009 – 22:25hs.

Ampulheta... em tempo de espera...


Espera. De tempos perdidos nos tempos
Espera. Sonho de abismos espalhados no infinito
Espera. Vazio insano a se esvair no ar
Espera. Sem quem e nem por quem
Espera. Quimérica espera que se expõe
Espera. Motim de volição inútil
Espera. Choro incessante
Espera. Que se desespera
Espera. Que degenera
Espera. Que se exaspera
Esperas esta era
Sempre
Tem
Era

Espera
Esperas sem eras
Não vens. Agora, eis-me só
Não vens. Em areia, desencantada
Não vens. Eis-me, aniquilada
Não vens. A soluçar sangria
Não vens. Quero vigorar meu encanto
Não vens. Amplificar, em tudo, o meu destino
Não vens. Mascarar o roxo dos lábios
Não vens. Procurar outros caminhos
Não vens. Recuso, sim, o nunca da chegada
Não vens. E, ainda, anseio uma espera, sem chegada...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 17 de outubro de 2009 – 2:27hs.

Namoro de antanho: homenagem aos meus pais

À janela da donzela, habitava tanto sonho,
pois antevia nas ruas, muito ardor e emoção!
Somente ela sabia, somente ela sentia, quão bisonho
e sedutor era o delírio escondido num canto do coração...

Rosto rúbio, bem formosa, baton vermelho na boca,
corpete justo à cintura, de rendas feitas a mão,
espreitava todo dia, vestido cobrindo a pernoca,
o moço do terno branco – a saudar - chapéu na mão!

Olhavam prá todo lado, certificando-se, então,
se o pai feroz, ciumento, não assistiria ao enlevo
de quem recebe do amado, tal qual numa aparição,
a rosa vermelha, prenúncio, de um pecado em relevo...

Promessa de se casar sanava qualquer pensamento,
mas, beijar, somente em sonho... e se soubessem sonhar!
De tudo - só permitido - de mãos dadas caminhar!

Ai! Só pura e pura emoção! Nem de longe o advento
do “Ficar”, furor de boca, do agarrar, sentir tesão!
Fetiche era engrandecer, o sonho vivido ao portão!


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 16 de outubro de 2009 – 22:41hs.

Poema a um homem-deus tropical

Olhos amarelos rumorosos,
dorso forte, mãos pesadas,
lábios vermelhos, ignóbeis.
Retalhos de sol abrigam-te a tez,
protegem tua nudez
dos meus sádicos encantos...
Amante-deus multicor,
espartano, suntuoso esplendor,
digladia aos meus pudores,
vem comigo pecar.

Grunhido-fera-ruge salta-abate,
meu corpo se entrega, em carne viva,
aos apelos dos teus contracantos, reprimidos,
nas arenas cruéis dos meus ciúmes.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 13 de outubro de 2009 – 2:11hs.

Poeta erótica!

É, não tem jeito...
sou e serei
poeta erótica!
Sedutora,
selvagem,
sedosa,
sediciosa,
seivosa,
sequiosa,
sedenta,
satírica,
satânica...
Serva
safada,
sugada,
sacana,
sempre
sucesso,
sempre
seleta,
sempre
sigilo.

Entrega-te... sou verso... confia!


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 7 de outubro de 2009 – 20:05hs.

Réplica agressiva

Não te iludas.
Sei quem fui,
o que sou,
o que te dou,
o que não te dou.
o que desejo de ti.

Não me iludas.
Sei quem foste
quem és,
o que me dás,
o que não me dás,
o que desejas de mim.

Assim
Uso-te
Ouso-te
Abuso-te
Recuso-te
Fiz-te muso
Sei-te difuso
Olho-te efuso
Bebo-te infuso
Leio-te profuso
Deixo-te recluso
Entendo-te druso
Adubo-te contuso
Descrevo-te obtuso
Desnudo-te confuso
Descortino-te intruso
Corrompo-te parafuso
Harmonizo-te concluso
Descubro-te inconcluso.

Não me iludas,
que eu não te iludo.
Necessitas de mim,
pois sou teu início, meio e fim.
Não preciso de ti,
não estreei em ti,
não me ampliei em ti,
e, muito menos, és meu fim.
Não me iludas,
que eu não te iludo.
E, fim.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 7 de outubro de 2009 – 19:10hs.

Vermelho


********************************************
Chego no teu sonho,
e danço em tom vermelho,
vazia de pudores,
vestida de maçã
e gosto de romã.

Chego no teu sonho,
e brinco ao teu espelho,
ornada de calores,
repleta de libido
e adormeço ao teu gemido.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 7 de outubro de 2009 – 2:39hs.

Se eu fosse tua prostituta

Afagarias meu corpo
vendido
e meus encantos
seriam desencantos
após tua partida.

Seria tua coisa,
tua coisinha fofa,
tua coisa deleite,
tua coisa enfeite
- vendida - mas não seria tua...

Serias meu dono,
meu lambedor de prazeres,
meu boneco empalhado,
meu posso-tudo,
- pagador - mas não serias meu...

Vendida.
Ferida.
Desconhecida.
Coxas molhadas,
boca melada de virtude,
lingua cansada.

Comprador.
Dividido(?)
Enganado(?)
Sexo sujo de baton,
boca seca de saudade,
lingua enojada.

Se eu fosse tua prostituta,
não traria marca de beijo na boca,
nem saudade escorrendo dos olhos.
Nem carinho ou prazer.
Nem segredos.
Receberia teu dízimo
e pagaria minhas contas do mês
e compraria roupas e perfumes,
para o próximo encontro...

Jamais seria tua,
nem jamais serias meu.
O verde do meu olhar
seria ignorado
ou pensado multicor...

Sem esperança
ou promessa,
não serias a perdição que me és agora...
nesse agora, que choro por ti,
sem saberes de mim.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 3 de janeiro de 2009 – 7:26hs.

Preciso pecar!

Meus sentidos nefandos,
coligados à esta vaidade fêmea,
carecem de platéia!
Por isso estou aqui,
a importunar tua leitura
e a provocar teu sexo cansado...

Apeteço-me ao teu olhar,
anseio teus beiços nos meus seios,
tuas mãos a bolinar meu rebolado langue
e esta carne fresca e plena,
prostituindo-se à iniqüidade sedutora
do teu sorriso afiado de vampiro!

Crava a sanguinolência
adocicada dos teus dentes
no virginal pescoço desta dama
que, ao menos, esta noite,
deseja todos os infernos
da tua eternidade!

Ofereça-me aos demônios,
estupra-me aos versos,
faça-me vampira em cada rima...
Mas... imploro-te que me permitas pecar,
por esta noite inteira,
no corpo inteiro do teu pecado todo!



Sílvia Mota.
Cabo Frio, 3 de janeiro, de 2009 – 6:32hs.

improviso de nós dois...

Nós dois,
somente dois,
por esta noite adentro
a (re)sonhar os sonhos...

Nós dois,
somente dois,
por entre tela, tecla e vida,
a (re)construir poemas...

Nós dois,
somente dois,
eu só, a me pensar em ti
e tu (talvez...) a se pensar em mim...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 1º de outubro de 2009 - 2:21hs.

Visita perigosa

A porta estará fechada,
por motivo de segurança, apenas...
A chave dourada e cravejada de rubis
encontra-se enterrada, sorrateira,
naquele vasinho de flores vermelhas,
ao lado da porta que dá para a escada...
Pega-a.
Abra a porta.
Entra.
Suba as escadas.
Os tapetes aveludados
são cor de carmim
e, no ar, sentirás a sedução
do meu cio...
Segue-o.
À porta do meu quarto,
deitado, elegante,
negro e vigilante,
encontrarás Poetrix
- meu Rottweiler -
mas, não o temas.
Foi adestrado para te receber,
assim como eu...
A inusitada diferença entre nós dois,
- animal e fêmea -
é que Poetrix não rosnará,
não te mostrará os dentes,
não atacará,
nem te morderá...
Eu, sim... tudo farei...
quiçá, possa mesmo te matar...
de prazer!


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 29 de setembro de 2009 – 17:08hs.

José

És José - o doce macho,
que de menino safado,
virou príncipe encantado
e sem ter cavalo branco,
nem penacho, nem coroa,
galopa, afoito, nos versos?

És José - o projetista,
que poeta na utopia,
vira a noite, vira o dia
e sem esquadro, nem régua,
só nas teias da beleza
mede a minha solidão?

És José - o bruto frágil,
que cantor das ilusões,
destrói tantos corações
e por tantas madrugadas
mergulha nos meus sentidos
a me ofertar serenatas?

És José - valente e doce,
que ao carregar solitude,
bendiz o destino rude
e corre de mundo em mundo,
à procura da verdade
contida no coração?

És José - marcante e forte,
que arauto da fantasia,
frente ao sonho se extasia
e dobra esquinas do afago,
matando deuses de fogo,
a procurar-me, vadia?

És José? Sou-te a Maria?
Quanto sonho delirante!
Quanta busca incessante!
Eis-me aqui a me enlevar...
Mas se, mesmo, te encontrei,
que faço, agora, José?!!


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 26 de setembro de 2009 – 2:05hs.

Sonho porque sonho



Sonho contigo porque sonho,
porque me aproximo de ti
e, nos teus braços
- em abraços -
sou um tudo eterno.

Sonho contigo porque sonho,
porque me abrolho em ti
e, da tua boca
- em chupadas -
retiro o mel da paixão.

Sonho contigo porque sonho,
porque me aqueço em ti
e, um céu inferno
- em deleite -
ejaculas no meu corpo.

Sonho contigo porque sonho,
porque me acalmo em ti
e, num bailar divino
- em santidade -
possuis meu ser em cada estrela.

Sonho contigo porque sonho,
porque me desfaço em ti
e, da primavera ao inverno
- em sorrisos –
cultivas a flor do meu pecado.

Sonho contigo porque sonho,
porque me assanho em ti
e, ao sabor de arrepios
- em despudor –
dominas meu prazer na tua língua.

Sonho contigo porque sonho,
porque me encontro em ti
e, do amor à paixão
- em realidade -
nem consigo mais me ser sem ser por ti.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 25 de setembro de 2009 – 11:31hs.

Tatuagem explícita da idolatria

Gosto tanto de amar que, se pudesse, eu sei,
transmutaria em versos meus amores poucos
e, a mantê-los na pele, para sempre vivos,
refaria em tatuagem - arte a sangue frio -
esta dor e o tremor... da lembrança sentida.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 16 de setembro de 2009 – 17:35hs.

Maestrina do amor

Se pudesse...
escreveria tua beleza
nas partituras da vida
e ocuparia um compasso todo
só por executar minha semibreve no teu corpo.
Na mínima expressão da tua face
burilaria as semínimas artes do teu gosto
e as colcheias carnudas dos teus lábios
renderiam gostosas semicolcheias
que me deixariam fusa e semifusa...

Se pudesse...
buscaria a emoção do teu sorriso,
fosse breve, longa ou máxima,
mesmo aquela mais perdida,
nas brumas do esquecimento...
Na fórmula do teu compasso
e, no passo adequado,
voariam as roupas que te arrancasse,
mudando de quando em quando
o andamento do teu beijo...

Se pudesse...
Em cada nota pontuada
estenderia meus suspiros, sem pausas...
Na tua clave de sol,
sustentaria meu fá e, talvez, meu dó,
com voz rouca e grave, de agudas sensações...
Deslocaria nossos sons
em bemóis e sustenidos,
alterando-lhes o timbre
conforme o vibrar do nosso diapasão.

Na tonalidade das nossas peles
indicaria a escala certa,
por onde nosso tempo
elegeria nova modulação...
E, pianíssinimo, piano, mezzo piano,
mezzo forte, forte, fortíssimo...
crescendo e diminuindo, maior e menor
em solo, em duo...
cunharíamos, em orgia sensual,
nossa cinética musical!

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 16 de stembro de 2009 – 00:42hs.

do Ódio ao Amor

Trafeguei pelo teu Ódio:
ofereci-lhe flores – pisoteou-as;
ofereci-lhe sonhos – ironizou-os;
ofereci-lhe caminhos – obstruiu-os.
Exausta, ofereci-lhe meus Versos...
e, por ali, à minha espera,
formoso e casto,
encontrei teu Amor!


Sílvia Mota.
"Poeta do Amor e da Paz".
Cabo Frio, 9 de setembro de 2009 – 13:04hs.

biografia lírica de uma liberdade cativa

eu, ave-mulher, nascida,
busco a luz o ar o sol e vôo,
vôo presa na gaiola do teu corpo...
e canso e luto e brado e danço,
danço cativa na lingua dos teus beijos...
e bebo e sugo e crio e procrio,
procrio noite no céu da tua boca...
e vago e olho e canto e fujo livre,
livre... morro... na palma da tua mão...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 6 de setembro de 2009 – 23:12hs.

sede

Eu não te imploro sonhos, nem mentiras,
nem sorrisos, nem beijos... Abre as pernas,
só te quero comer o lastro forte
e em carícias servis beber teu leite.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 5 de setembro de 2009 – 23:35hs.

meus cabelos aos teus beijos

Em volúpia, meus cabelos,
cascateiam nos teus ombros,
todos os sonhos desnudam,
fecundam toda a cobiça.
E, no vai-e-vem desta luta,
meus seios geram teus beijos,
meus anseios, teus anseios.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 5 de setembro de 2009 – 19:17hs.

AGOSTO/2009

peregrino

ancoraste em minha vida
com três naus vazias:
a do amor,
a do sonho,
a da vida...

partiste da minha vida
com três naus repletas:
a do beijo,
a do abraço,
a do desejo...

deixaste a minha vida,
com três portos cavos:
o da tristeza,
o da incerteza,
o da morte...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 23 de agosto de 2009 – 1:33hs.
Ao Carlos Vega.

sinfonia irrestrita

Pintei-me de verde na tua campina matiz,
dancei contigo e, em mim, tua tristeza desfiz...

Desci ladeira abaixo, rolei suja e presa no teu laço,
deixei-me afagar, afagando o teu cansaço...

Molhei-me toda de poesia, amei-te o tempo todo,
deixei meus versos escorrerem a limpar-me o lodo...

E, neste palco ilusório da paixão, suspirei a bailar,
enquanto me lia, em desalinho, ao som do teu olhar...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 23 de agosto de 2009 – 1:12hs.

narcisa

gosto tanto deste ser que habita em mim,
que me enobrece a alma
e me desponta
doçura e lassidão,
coragem e harmonia,
poder e sedução,
me parte e me reparte
e me reúne
e me abriga
e me consome...

somente um ser eu sou
e o sou por ti.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, ‎‎22‎ de ‎junho‎ de ‎2009, ‏‎19:44:46 – segunda-feira.

intercorptualidade

eu bem sei
meu corpo não é o teu
mas é teu...
eu bem sei
meu amor não é o teu
mas é teu...

eu bem sei
teu corpo não é o meu
nem mais teu...
eu bem sei
teu amor não é o meu
nem mais teu...

esse desejo não tem voz,
mas grita;
não acasala,
mas procria;
não promete,
mas sonha...

teu corpo não é minh’alma
nem tu’alma é meu corpo,
nada prometem,
não masturbam,
devoram-se
pelo olhar...


***Neologismo... pode?
Sílvia Mota.
Cabo Frio, 13 de agosto de 2009 – 17:01hs.

eu e o amor: ciclo vicioso

quando o amor a mim me chega
rebroto,
medro,
desabrocho,
fecundo,
sou violino de ouro
em noite de luz,
flor de cerejeira
em dia de ocaso,
caso raro
de inflorescência...

quando de mim o amor se vai
esvaio,
desboto,
encolho,
despetalo,
sou limbo de orações
em pecado original,
cruz e tabor
de pedúnculo vexado,
caso raro
de defloração...

ora sou inflorescência,
ora sou defloração...

ora sou inflorescência,
ora sou defloração...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 14 de agosto de 2009 – 23:55hs.

meu olhar diamante


Meu olhar diamante,
amante sombra
da minh’alma envelhecida.

Meu olhar diamante,
flamante lapidar
feito em chuva de pedra.

Meu olhar diamante,
flagelante ecoar
de sussurro na espera.

Vazio.
Angústia.
Ressentimento.
Meu olhar diamante,
saudade que corta e mata.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 12 de agosto de 2009 – 18:14hs.

busca insensata

procuro em ti
meu infinito
e te encontro
no finito de mim.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 10 de agosto de 2009 - 21:05hs.

JULHO/2009

sinfonia parasidíaca

Ele
voz,
Eu
gemido,
alarido
atrevido
e conciso
no paraíso.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 17 de julho de 2009 – 2:00hs.

amor e paixão

Amor vinho,
ninho em desalinho.
Vício na saudade.

Paixão ópio,
régio sacrilégio.
Sufoco na emoção.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 17 de julho de 2009 – 1:51hs.

exumação

Arranco do peito
esse amor desfeito,
insatisfeito,
imperfeito.

Grudo na parede
essa foto que fede,
despede,
excede.

Trinco no dedo
esse anel enredo,
segredo
azedo.

Rasgo no dente
essa calcinha indecente,
abducente,
conivente.

Choro na cama
essa solidão lama,
melodrama,
pijama.

Peço em queixume,
esse corpo perfume,
negrume,
ciúme.

Depois que sufoco,
jugulo e provoco,
te choco,
por outro... te troco.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 16 de julho de 2009 – 23:32hs.

a despetalar meu sonho...

Em pétala por pétala, rasgo a esperança
do soberbo desígnio de te ansiar na lua
e, nesse vai-e-vem, minh’alma louca dança...
Se não posso ser nada além do que ser tua,
ao furor delinquente de um sonho qualquer,
neste instante, te busco em minh’alma mulher:
bem-me-quer... mal-me-quer... bem-me-quer... mal-me-quer


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 7 de julho de 2009 – 2:04hs.

um recado pro teu beijo...

No momento em que me beijas, afogo-me na saliva quente que me incinera a alma e me retira o ar... e, de prazer, quase morro, mirando tua face minha. Esse beijo... essa saliva... esse calor... e essa face máscula... ejaculam-me na boca um poder de deus ou demônio - não sei dizer – e me transmuto em flor e espinho, em candura e maldade, em caminho e perdição... e me deixo possuir e dominar, inexplicavelmente... Talvez, por medo de te ter, de te perder e de me perder... fuja tanto do teu beijo...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 6 de julho de 2009 – 16:11hs.

pleonasmo do meu eu

existe um fogo quente
ali no meu viver
e uma ilusão quimera
aqui no meu pensar

existe um som ruído
ali no meu pisar
e uma doçura mel
aqui no meu beijar

existe um sabor gosto
ali no meu segredo
e uma chuva molhada
aqui no meu desejo...

existe um tudo inteiro
ali no meu que é teu
e existe um vazio nada
aqui no teu não meu


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 5 de julho de 2009 – 16:59hs.
Poema iniciado em: 20 de dezembro de 2008 – 00:52hs.

milagre

é

me
enamorar
que enfloro


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 4 de julho de 2009 – 21:10hs.

JUNHO/2009

meu universo

Sonho-te estrela polar
- imóvel -
nos conspícuos céus
dos meus arranha-céus
e, ao teu derredor,
- circulo -
na dança dos mil véus,
magnetizada... apaixonada...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 27 de junho de 2009 – 23:19hs.
1ª versão: Cabo Frio, 18 de junho de 2009 - 19:50hs.
Prova MED, calma, noite.

adequação

sendo impossível
conhecer-te a ti
e aos desejos teus,
contento-me em te amar
nos versos meus


Sílvia Mota.
Estrada, Rio/Cabo Frio, 22 de junho de 2009 – 10:45hs.

poesia concreta... ou repleta?

gin é palavra;
gin, saudade em gole;
no canto, somente,
um gole de gin


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 20 de junho de 2009 – 22:40hs.

do teu início sou fim...

tenho ânsia de ser teu infinito,
teu infinito inalcançável,
inalcançável pelas brumas da tristeza,
tristeza que me persegue
que me persegue e me faz morrer
morrer viva,
viva e morta,
morta-viva, sem te ter...


Anadiplose poética.
Sílvia Mota.
Cabo Frio, 21 de junho de 2009 – 14:15hs.

não é nosso caso, mas...

Existem beijos
que não produzem salivas
e existem olhos
que não produzem olhares...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 18 de junho de 2009 - 20:16hs.

um sonho passou por aqui


Faço-te escravo,
engaiolo em mim
o teu eu
e me encanto
ao teu canto...
Aos meus pés,
teu beijo-é-flor.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 15 de junho de 2009 – 17:42hs.
Publicado no Portal Poético Luna&Amigos: http://www.lunaeamigos.com.br/varal/varal27ano8.htm

poeta da madrugada fria

Frio...
Corpo gelado
que treme;
sexo
que geme;
pele ouriçada
que freme;
solitude
sem leme...
Frio...
Busco e rebusco
teus pelos um a um...
quero cada pelo teu
no corpo meu;
quero envolver-me
nesse russo edredon,
onde meu som
rugirá noutro tom...
Depois... é sonhar...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 14 de junho de 2009 -

para bem depois que o sol se for

Ainda que não me busques
e nunca mais me queiras,
terás o meu som poema
em cada qual suspiro
a te querer vampiro.

Ainda que não me busques
e nunca mais me queiras,
eu me farei presente
em cada primavera
de rubra rosa em era.

Ainda que não me busques
e nunca mais me queiras,
serei o teu sustento
em toda carne nua
que se encaixar na tua.

Ainda que não me busques
e nunca mais me queiras,
far-me-ei teu bom alvitre
prostrada na tua porta
prá bem depois de morta.

Ainda que não me busques
e nunca mais me queiras,
meus beijos teus serão
lá onde o amor alcança
e a vida eterna é dança.

Terás minha silhueta
marcada em teus caminhos...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 7 de junho de 2009 – 17:06hs.

alienatio mentis

Arrebata-me,
dionisíaca!
Permita-me
querer-te,
ensandecida!
És a patologia
da minh’alma
alucinada,
alienada,
fanática!
Sou o mal de ti,
em mim...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 7 de junho de 2009 – 00:05hs.

o conjugar do amor

Tua lingua
no meu sexo,
agora...
o agir
pronto,
o abduzir
gostoso
e sem pressa...

Teu falo
no meu sonho,
depois...
a tumidez
úmida,
a surdez
peralta
e sem dono...

Teu corpo
no meu cansaço,
sempre...
o aval
quieto,
sensual
registro
de um acontecer...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 6 de junho de 2009 – 21:12hs.
Resposta ao desafio de realizar um poema sem o uso de verbos.

MAIO/2009

psicografia autorizada

Escreva-me, por mim!
A história da minha vida
é a descrição da minh’alma...

Sou mulher-amor,
ternura
e dor...

Sou mulher-poesia,
flor
e agonia...

Sou mulher-canção,
saudade
e criação...

Sou mulher-pintura,
beleza
e loucura...

Sou mulher-paixão,
arroubo
e tesão...

Sou mulher-ação,
certeza
e oração...

Sou mulher-tua,
que ao teu adeus
fica nua...

Escreva-me, por mim!
A história da minha vida
é a descrição da minh’alma...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 31 de maio de 2009 – 18:11hs.

alma incógnita

Não te quero ser em alma incógnita,
que míngua nas tuas tardes
e, não se faz, nas tuas madrugadas,
que se enterra nos cantos dos jardins
e só enflora na cor do teu pecado,
que sonega a purpurina da volúpia
e não te pode ter em serpentina,
que te faz bemol e se tem em sustenido,
mas, não pode discordar, do teu compasso...

Não te quero ser em alma incógnita,
mas, o estrelar favorito das estrelas
e, que não te denegues a vê-las,
pois quero soletrar-me no teu nome
e consumir-me no teu corpo,
marcar de roxo o teu colorido nu
e, não contar ao relógio, o tempo do adeus...
Quero ser tua neste momento - agora -
e, daqui a pouco, te vou querer também...

A não ser assim,
enforco-me nos teus cabelos!

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 31 de maio de 2009 – 15:47hs.

aprenda a me possuir...

Sou caça labiosa, gostosa, tentadora... De caça te caço charmosa, sedosa, fogosa... Meu olhar te confronta, meu encanto te confunde; meu corpo te provoca, meu poema te seduz; minha boca te chama e te afasta, não sabes se meu não é meu sim. Se me pensas presa, me solto; se me escorregas, te pego e te prendo por inteiro nas rimas do meu pecado.

Confundo-te todo, é parte do meu show...

Se tanto fujo do teu beijo é porque me quebro e requebro à troca de salivas... Não te sei beijar e deixar; se te beijo, me enveneno; se te beijo, fico em ti... Por tal razão, mostro-te minha lingua, esfolo-te a fantasia, mas permaneço solta, a desafiar-te a prisão...

Confundo-te todo, é parte do meu show...

Ah! Mas se fores paciente, labioso, gostoso, tentador... de caça te caço e te faço charmoso, sedoso, fogoso, entrego-me com jeito ao teu beijo, rendo-me ao teu canto e me transmuto em encanto... Confesso-te meus ais e te dou as fendas todas do meu corpo, só por ouvir teu amor.

Não te sou tua em vulga paixão, pois minha sedução não é jogo barato de vou e não vou, de vem e não vem... É cio de fera em tesão, é deleite de fêmea em amor e paixão! Se me queres ter enlouquecida na redoma dos teus braços, preencha esse processo louco, pois de caça a caçadora, serei conquista que morre aos teus pés, que renasce aos teus beijos e satisfaz teus desejos o tempo todo, indescritivelmente...

Aprenda a me possuir... por amor...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 24 de maio de 2009.
Início: 1:14hs.
Término: 2:24hs.

que sonho!

sonhei que estavas tão lindo,
sonhei teus beijos de amor,
sonhei palavra arrepio,
roxo aperto
em vil acerto.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 24 de maio de 2009.
Início: 1:08hs.
Término: 1:09hs.

no melhor do sonho...

quando ia te ter,
quando ia te ser,
por que, acordei?!!


Poetrix.
Sílvia Mota.
Cabo Frio, 23 de maio de 2009
Início: 17:59hs
Término: 18:00hs.

desvairo

entorpecida,
enlanguecida,
enlouquecida...

E, tudo, por um sonho!


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 23 de maio de 2009.
Início: 17:55hs.
Término: 17:57hs.

despertas em mim o dom eterno da paixão

Por somente pensar em ti me desfaço em poesia. És o encanto de uma vida inteira... o sonho... a paz...

Procurei-te em cada beijo, em cada abraço, em todos os pecados cometidos, em cada desilusão... Chamei por teu nome em todas as minhas saudades e te afoguei em cada lágrima. Milhões de vezes te afoguei e milhões de vezes te salvei. Porque, ao salvar tua lembrança, mantinha a possibilidade de concretizar meu sonho.

Amei-te em cada movimento dos meus cabelos soltos, no colorido das minhas unhas, em cada pelo mantido intacto na minha genitália. Senti tua presença nos troncos das árvores plantadas em cada esquina e em todos os portais senti a força do teu abraço. Ouvi tua voz no cantarolar de todas as emoções e me fiz busca constante... Pelas primaveras todas me desfiz em saudade e senti teu perfume na minha solidão...

De tanto procurar, cansei... e permaneci em silêncio, a relembrar meu passado... E, do meu silêncio, renasceu a poesia que despertavas ao simples toque das tuas mãos ou ao sorriso do teu olhar... Lembrei-te outra vez.

Então, a partir do meu silêncio, da minha poesia e da tua lembrança imortal, o mundo me devolveu a ti, em forma de canção... Agora, tenho a mim e, talvez, a possibilidade de recuperar teu amor, mas, a tudo isso se entrelaça um medo enorme de te perder de novo...

O que fazer, se despertas em mim o dom eterno da paixão?


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 23 de maio de 2009.
Início: 17:08hs.
Término: 17:30hs.

sonhei contigo

Sonhei contigo.
Vestias terno branco, gravata vinho e um sorriso inigualável na boca. Tua boca continha os pecados todos do universo, em contraste à pureza do teu olhar.

Sonhei contigo.
Vestias terno branco, gravata vinho, sorriso inigualável na boca e uma sensualidade única no caminhar. Teu caminhar que respirava jeito de macho que se entende macho e se deseja macho.

Sonhei contigo.
Vestias terno branco, gravata vinho, sorriso inigualável na boca e trazias uma flor cor de sangue na lapela. Tua lapela, onde todos os perfumes jamais exalariam o cheiro da tua pele.

Sonhei contigo.
Vestias terno branco, gravata vinho, sorriso inigualável na boca, flor cor de sangue na lapela e um calor de sedução em cada palavra. Tua palavra, à qual nenhuma outra se iguala, porque se confunde aos encantos da paixão.

Sonhei contigo.
Vestias terno branco, gravata vinho, sorriso inigualável na boca, flor cor de sangue na lapela, calor de sedução em cada palavra e um gosto de mente em nudez. Tua nudez, ah! tua nudez! A única que, por toda uma vida, se me apresentou vestida de amor!..

Sonhei contigo...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 23 de maio de 2009.
Início: 16:44hs
Término: 16:54hs.

repto de amor

estrelas!
hei de bebê-las elas,
todas elas,
no céu da boca
do teu beijo ao léu...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 16 de maio de 2009 - 10:49hs.
Fisioterapia... prova de turma em paz...

ménage a trois da ausência

Busca, busca tua mulher,
desova-te nessa concha sem luz,
alimenta-te desse corpo sem sal,
esfrega-te nesses peitos inermes,
embebeda-te nessa saliva amarga,
enrosca-te nessas pernas magras,
penetra essa bunda sem presença.

Busca, busca tua mulher,
pois estarei na mesma cama,
oferecendo-te meu sexo rosado,
meu corpo temperado de gozo,
meus peitos fartos e apetitosos,
o úmido mel do meu salivar.

Busca, busca tua mulher,
pois estarei aí, contigo,
exibindo-te minhas coxas grossas,
desafiando-te altiva
com minha bunda saliente,
que tem ritmo e que abunda,
firme e dura,
no teu falo duro.

Busca, busca tua mulher
e, não me venhas dizer,
que mais vale ela do que eu,
porque te tem e eu não.

A ser assim insossa,
estar contigo e não te ter,
elejo ser a tua fantasia
e te ter por inteiro
de quando em vez,
gostosa,
charmosa,
fogosa,
perfeita em tesão,
sem rival na sedução.

Busca, busca tua mulher...
Estarei olhando...
Busca, busca tua mulher...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 13 de maio de 2009 – 21:20hs.

elegia ao amor

Pergunta-me uma vez
duas vezes
três vezes
quatro vezes
cinco vezes...
MIL vezes...
UM MILHÃO de vezes
o que fui
o que sou
o que serei...
e responderei
uma vez
duas vezes
três vezes
quatro vezes
cinco vezes...
MIL vezes...
UM MILHÃO de vezes:
fui AMOR!
sou AMOR!
serei AMOR!
SEMPRE!!!

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 12 de maio de 2009 - 13:10hs.

e se eu não existisse?

eu-rio-1



Ah! Mas eu existo... eu existo...
e quero penetrar teu corpo,
invadir tua alma,
fazer-me lembrança em ti...

Ah! Eu existo... eu existo sim...
e perfumo, sinto-me cheirosa,
ao teu cheiro cheiroso,
que me põe em tesão...

Ah! Mas eu existo... eu existo...
e resvalo pelo teu desejo,
espraio-me aos teus pés,
num momento fulgaz...

Ah! Eu existo... eu existo sim...
se, ao frio desta madrugada,
em fantasia, provoco-te a lembrança de mim
é porque, eu sei, respiras-me em ti...

E se eu não existisse?...
Ah! Mas eu existo... eu existo...
E, se pensas em mim,
é porque existo em ti...


Ao som de "Et si tu n’existais pas", na voz de Joe Dassin.
Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 9 de maio de 2009 - 2:43hs.

mal de encante em rota de prazer

no teu corpo coexistem humano, anjo e animal
no teu corpo tudo é meio sobrenatural,
morbidez e dicotomia
entre pureza e heresia.

o teu humano em mim se faz corpo e tabu,
revela-me os sonhos e me destrói segredos;
teu lado anjo me protege e pune,
faz-me luz em treva e me faísca e abruma;
teu animal me come e assustador me assusta,
faz-me doce sabor e me transmuta em dor.

no teu corpo coexistem humano, anjo e animal
no teu corpo tudo é meio sobrenatural,
morbidez e dicotomia
entre pureza e heresia.

o teu humano em mim só me referve os nervos,
escraviza-me sem dono e suga meus temperos;
teu lado anjo me venera e açoita,
descobre-me afável e me divulga nua;
teu animal me cria e me recorta em partes
destroça-me intensa e me ignora o sal.

no teu corpo coexistem humano, anjo e animal
no teu corpo tudo é meio sobrenatural,
morbidez e dicotomia
entre pureza e heresia.

o teu humano em mim perpetra seus feitiços,
abrolha-me em beleza e mórbidos estados;
teu lado anjo me seduz e enleia,
deita-me em pecado e me sufoca em nuvem;
teu animal me faz e desfaz em guerra e captura,
desnuda-me a nudez em mitos de prazer.

no teu corpo coexistem humano, anjo e animal
no teu corpo tudo é meio sobrenatural,
morbidez e dicotomia
entre pureza e heresia.

o teu humano em mim provoca e me alucina,
abona-me aos entes e feras de outros mundos;
teu lado anjo me refaz em narrativa e mito,
faz-me simbólica ao som do paraíso;
teu animal me solta da toba o leite branco
e me sufoca ao fluxo desse humor orgânico

no teu corpo coexistem humano, anjo e animal
no teu corpo tudo é meio sobrenatural,
morbidez e dicotomia
entre pureza e heresia.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 5 de maio de 2009 – 18:46hs.

tu és meu verbo preferido

tu chegas
tu olhas
tu falas
tu queres
tu calas
na minha boca

tu me despes
tu me tocas
tu me sentes
tu me curas
tu me tens
de qualquer forma

se tu alucinas meu verbo
se tu floreias meu canto
se tu provocas meu pranto
se tu constróis meu destino
se tu comandas meu gozo
sou teu puro e vil deleite

quando tu me sabes doida
quando tu me fazes mouca
quando tu me deixas rouca
quando tu me deitas roxa
quando tu me fodes louca
eu sou tudo ao teu prazer

tu és tu e tudo em mim
tu vês o que sou em ti
me esvais...
me tens...
te vais...
tu...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 3 de maio de 2009 – 10:09hs.

ABRIL/2009

dama-orgia no teu nome

Homem, sou tua dama do amor...
És meu amo amado e por ti me faço
Liberdade hiperbólica do presente,
Idílio inesgotável e fonte de paixão,
Onde teu sonho se esconde no amanhã...

Açodo-te a alma e, mefistofélica,
Transformo-te em luz do meu inferno.

Cataclismo da sedução, te sou, me és...
Amazona fogosa em aventura livre,
Rosno som de beijo e ao teu olhar me faço
Visão ingênua e pura do pecado...
Afagado, te afogo e num suspiro só,
Leio tua alma fechada, cuidadosa,
Historiando-te... e me faço, impudica,
Orgia do teu pensamento!

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 22 de abril de 2009 – 5:59hs.

tu és na minha vida...

o centro
excêntrico,
o definido
definidor,
a façanha
barganha,
o dito
interdito,
o canto
desencanto,
o audível
imperceptível,
o tudo
nada...

és qualquer coisa
entre esdrúxulo-erótica
que me destrói à noite
e me recria ao dia...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 22 de abril de 2009 – 02:38hs.

insaciável!

de
tanto
te
olhar
e
te
ver
quero
te
olhar
e
te
ver
sempre
e
sempre
mais
e
mais!..

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 21 de abril de 2009 – 23:55hs.

não provoques meu furor!

Sou flor
de jasmim
em fé
e oração,
sou canto
e encanto
de sol
na manhã,
mas frente
à mentira
sou fera
colérica,
vulcânica,
explosiva!
Vergasto
tua palavra
efêmera,
passível
de logro!
Teu verso eu reverso
e desfaço,
somente num verso,
anverso,
a tua heresia!

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 20 de abril de 2009 – 16:08hs.

danço-te lundum

esgueiro-me
nessa dança
transgressora,
sensual,
erótica,
ciosa
do olhar,
da voz
e do encanto...

canta-me,
executa-me
nos ritmos todos
e em todas volúpias...
contempla
meu idílio
maneiro,
langoroso
e lascivo...

Mas, a despeito de toda provocação,
idolatra-me a pureza, não a concupiscência...

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 20 de abril de 2009 – 15:03hs.

incenso dionisíaco

esfrega-me
no teu corpo
até aquecer
e arder
e exalar...

êxtase sensual:
aspira-me, agora!

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 18 de abril de 2009 – 23:29hs.

artemísia


ofereça-me um chá quente
desta erva vital:
fértil,
feminina,
arrebatarei teu corpo
e meu pecado se remirá
nos filhos todos que desejares ter
Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 18 de abril de 2009 – 23:04hs.

pitonisa


deponha a tua fé
no oráculo dos meus tempos,
cruza meu passado,
seduza meu presente
e jaza no meu futuro...
ali, então,
deponha o rico manto
do teu ombro
aos meus pés...
beija-me,
adora-me,
tenha-me,
afoga-me num transe eterno...

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 18 de abril de 2009 – 22:38hs.

vejo-te em grande perigo...


não consegues viver em mim,
não tens talento...
não consegues fugir de mim,
és escravo...

não consegues viver nela,
não tens desejo...
não consegues fugir dela,
és covarde...

não consegues viver em ti mesmo,
não tens paz...
não consegues fugir de ti mesmo,
és medo...

vejo-te só:
sem mim, sem ela...
e - o que é pior –
sem ti mesmo...

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 18 de abril de 2009 – 20:05hs.

vendo-te minh'alma... (corrigir posição - 29 de novembro de 2009)

Quero vender-te minh’alma,
uma alma de versos,
versos de amor,
sem o selo de Cupido;
trata-se de uma alma de sonhos,
sonhos de amor,
sem o aval de Morfeu.

Quero vender-te minh’alma,
uma alma de guerras,
guerras de amor,
sem o sangue de Marte;
trata-se de uma alma de dores,
dores de amor,
sem a força de Diana.

Quero vender-te minh’alma,
uma alma de sorrisos,
sorrisos de amor,
sem a alegria de Dionísio;
trata-se de uma alma apaixonada,
paixão de amor,
sem a ardência dos Sátiros...

Quero vender-te minh’alma!
Quero vender-te minh’alma!
Quero vender-te minh’alma!

Preciso vender-te minh’alma,
uma alma legítima
que escolheu ser tua... qual o valor?
- aceito teus beijos... de amor...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 29 de novembro de 2008 - 19:43hs.

monte de vênus

chegas à musa nua,
sondas-lhe o monte vivo:
natureza e arte divas!

chegas ao nobre paço,
alcatifado em lotus
e louva-deus num mantra...

chegas à deusa flor,
nesse bizarro alento
de alma vagante em luz...

chegas ao espaço casto,
num chão de arroubo e graça
que te me açouta as ancas...

conquistas, ébrio, o monte...
Vênus emite um som,
desta vez, noutro tom...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 16 de abril de 2009 – 01:25hs.
Reformulado em 16 de abril de 2009 – 23:19hs.

transpiração candente

Teu suor
cobre-me a fronte de estrelas...
quero vê-lo nascer,
medrar
e escorrer
no meu impudico sonho...
Teu suor
cobre-me a fronte de estrelas...
faz-se leito
e verte em mim
o ouro verde
da aurora...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 16 de abril de 2009 – 01:09hs.

na paixão sou naja

napaixaosounaja



cega,
te vejo...
enraiveço,
dilato
o pescoço,
e enrouqueço...

surda,
te ouço...
enrodilho,
ergo-te
no encanto
e escravizo...

fiel,
sibilo...
te babo veneno,
te mato
e me mato
no chão.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 13 de abril de 2009 – 22:28hs.

artífice da sedução

num fio de olhar
me despes inteira;
em meia palavra
me jogas na cama;
na ponta dos dedos,
esboças meu corpo;
na ponta da lingua,
acordas meu gosto;
no atrito da pele,
expões meu perfume;
ao afeto de beijos
me pões em silêncio;
às portas do céu
me excitas, me domas;
ao ruído do inferno
me forjas, me tens;
num prófugo cheiro,
aspiras meu ser
por inteiro...

somente assim tu és meu...
somente assim sei ser tua...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 12 de abril de 2009 – 12:05hs.

meus caminhos no teu corpo

no teu suor busquei perfume em paz
e achei meu cheiro em forma de feitiço,
nos teus cabelos soltos busquei força
e me prestaste açoites de prazer,
no teu olhar noite esquadrinhei–te a luz
e me expuseste o pleno do infinito,
nos teus ouvidos quis grunhir surpresas
e me esparziste ecos de deleite,
nas tuas narinas eu previ passagens
e me deixaste o som dos meus suspiros,
da boca açúcar mel quis sentir beijos
e me embriagaste ao gosto da paixão,
no teu pescoço ferreteei meus dentes
e encontrei meu alvo extremo de atração,
nas tuas espáduas nuas sonhei quimeras
e divisei meus mundos encantados,
dos teus abraços quentes quis teu sono
e despertei na alcova dos meus sonhos,
nas tuas mãos rígidas campeei carinhos
e me ofertaste inúmeros caminhos,
no teu umbigo procurei temores
e nele só encontrei minha coragem,
nas tuas virilhas vis cacei fantasmas
e encontrei ali meu flúmen de prazer,
no teu sexo anjo revisei mistérios
e me perdi num átrio de verdades,
nas tuas duas pernas fui elogiar beleza
e descobri razão e alento do amor,
nos teus pés firmes quis sentir audácia
e te ajoelhaste quente aos meus desejos...

enfim... dizer-te eu quero: o que fazer,
se tudo o que é de mim se concluiu em ti?

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 4 de abril de 2009 – 11:38hs.
Reformulado em 16 e 22 de abril de 2009 – 18:01hs.

MARÇO/2009

camaleoa

converto tudo em poesia:
das lágrimas vertidas ou juguladas,
aos sonhos sonhados ou prometidos;
dos sorrisos nascidos ou pensados,
aos desejos expressos ou refreados...

converto tudo em poesia:
mal-fazer em bel-prazer,
mal-me-quer em bem-me-quer...

converto tudo em poesia:
eu em ti
ou tu em mim.

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 29 de março de 2009 – 4:50hs – madrugada.

trajeto da minha inspiração: a um desconhecido

sonho sem fim


Entra na Cidade do Amor
e, no Bairro Saudade,
ao lado de um Clube Erótico,
descansa na calçada dos Sonhos,
sob os candelabros da Paixão.
Pergunta para a Solidão,
o que fazer para evitar
as vielas da Amargura
ou os guetos da Vaidade...
Enfim, busca no Olhar
a Rua da Sedução...
Segue essa
reta
sem
curvas,
de Idílio,
sem Fim,
num caminho
traçado
de Ti
para Mim...

mas,
quem és Tu?

Sílvia Mota.
Este poema nasceu de uma solicitação do meu filho Júnior. Perguntou-me: "Mamãe, se não é para algum amor em especial, de onde vem toda essa sua inspiração?" Segue a resposta, meu filho. Dedico este escrito poético a você. Beijos.
Rio de Janeiro, 22 de março de 2009 – 10:56hs.

impossível deixar de te procurar em mim


busco-te nos componentes do meu sistema,
nas harmonias e vias da minha anatomia,
nos adereços e endereços da minha beleza

busco-te nas veias do meu coração,
nas tendências fetais e atuais dos meus anseios,
nos roubos e arroubos das minhas quimeras

busco-te nas vísceras do meu pranto,
nas entranhas estranhas do meu paraíso,
nos rogos e fogos das minhas orações

busco-te nas secreções do meu labirinto,
nos hormônios binômios dos meus desejos,
na produção e liberação das minhas indigências

busco-te nos excrementos do meu pensamento,
nos cantos encantos das minhas ilusões,
nas ações e proscrições dos meus venenos

busco-te nas linfas e tecidos da minha perdição,
nos ruídos fluídos do meu pranto,
nas bisonhas e medonhas vias do meu coração

busco-te nos estímulos dos meus músculos,
nos raptos inaptos dos meus prazeres,
nos deslizamentos cruentos das minhas contradições

busco-te nas captações dos meus neurônios,
nas manhas barganhas dos meus desafios,
nas repulsões e compreensões dos meus impulsos

busco-te na concupiscência das minhas ereções,
nas meninas meninos das minhas fantasias,
nos vampiros e suspiros dos meus temores

busco-te nos ares das minhas inalações
nas correntes assentes da minha pornografia,
nos casticismos e cinismos dos meus pretextos

busco-te nas cartilagens dos meus ossos,
nos rígidos e hígidos arcabouços da minha essência,
nas sustentações e proteções dos meus caminhos

busco-te nas terminações dos meus sentidos,
nas ordens e desordens dos meus estímulos,
nos pulcros sepulcros dos meus significados.

busco-te nas interrelações do meu corpo,
nas dependências e pendências da minh'alma,
nos bruxedos e brinquedos dos meus sonhos

busco-te, enfim, em cada uma das minhas veleidades,
nos êxtases e ênfases da minha inspiração,
nos domínios e fascínios de todos os meus ais.

encontro-te em mim,
mas não me encontro em ti...

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 21 de março de 2009 – 19:39hs.

cínica pureza

não quero
mas te quero
não posso
mas preciso
não faço
mas reflito
não dou
mas abono
não sou
mas queria...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 18 de março de 2009 – 18:18hs.

via sem contramão

que tu desças,
subas,
corras,
freies,
deslizes,
dobres nas esquinas,
contornes os obstáculos,
desafies as veredas,
ultrapasses os sinais
ou percas o rumo...
mas que permaneças
o tempo todo
e, por todo,
- inteiro -
na via única
do meu corpo.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 5 de março de 2009 - 23:42hs.

meu tempo sem tua presença

sem teus olhos,
meu tempo
é luz sem claridade,
cor de noite triste;

sem tua boca,
meu tempo
é flor sem perfume,
sabor de fel no mel;

sem teus braços,
meu tempo
é folha sem rama,
verde de sonho irreal;

sem teu sexo,
meu tempo
é tarde sem brisa,
gozo de ária infeliz;

sem tua vida,
meu tempo
é canto sem ledice,
morte de beijo ancião.

sem tua presença,
meu tempo
é ausência sem termo,
teimosia da vida em mim.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 4 de março de 2009 – 1:09hs.

esta noite de paixão me cheira a tango

Esta noite,
o tango
soa,
toa
e ecoa...
faz-se ouvir!

A fronte de estrelas
faz nascer, medrar e crescer
esta paixão felina que ruge
e dança menina
na dor do meu corpo...

Esta noite,
o tango
soa,
toa
e ecoa...
faz-se ouvir!

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 4 de março de 2009 – 00:09hs.

FEVEREIRO/2009

indiscutível!

ambicionei tua volta
para beijar-me
em todos os teus beijos
e no meu corpo tenso transar-te
em meu prazer intenso


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 19 de fevereiro de 2009 – 00:39hs – madrugada.

JANEIRO/2009

te ver – te beijar – te amar...

Anseio te ver e te sonhar,
beijar-te com meu beijo,
amar-te com meu amor...
Rosa eu me quero,
em rosa te me dou.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 4 de janeiro de 2008 – 23:30hs.

rosa, fêmea, sonho e deusa

sou mulher-rosa e fêmea,
mulher-sonho e deusa...
abrolho e enfeito,
despetalo e me recrio
- indefinidamente -
no céu ajardinado
dos teus braços


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 3 de janeiro de 2009 – 22:07hs.

meu silêncio macho e sensual

Não rotule de tristeza ou depressão
este meu desejo de estar só.
Nunca, antes,
ouvira meu próprio silêncio.
É bonito, falante,
lascivo, elegante,
carnal, galante...
e fiel.
Gostei.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 2 de janeiro de 2008 - 19:55hs.

DEZEMBRO/2008

mala affectatio

Aqueles sonhos,
a serem todos sonhados,
adormeceram todos ao anoitecer...

Aqueles beijos,
a serem todos beijados,
se converteram em pó... e só...


Sílvia Mota
Cabo Frio, 23 de dezembro de 2008 – 23:17hs.

ornato dialético

-"quero teu corpo"
-"e eu tua alma"

-"és meu encanto"
-"e tu meu pecado"

-"és minha deusa"
-"e tu minha fé"

-"sabes... sou teu"
-"sei... és meu"

-"quero-te minha"
-"sou tua..."


Sílvia Mota
Cabo Frio, 23 de dezembro de 2008 – 22:54hs.

renovação

Nua,
molhada,
abro a porta
e digo adeus
à primavera...
Langue,
faminta,
volto ao ninho
e, no teu falo deus,
invento nova era!


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 22 de dezembro de 2008 - 23:59hs.

a primavera te deixou ficar

ao luar
beijo-te
na rosa
saliente

ao luar
sou canto
e suspiro
silente

à primavera
sou grata...
desta vez,
te permitiu ficar


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 22 de dezembro de 2008 - 23:57hs

vieste

vieste
foste
e voltaste
sempre
sempre
e sempre...
na primavera


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 21 de dezembro de 2008 - 23:57hs.

inútil mentira

Arrisco esconder
este amor
no manto de cada flor
que enfeita meu jardim...

Arrisco esconder
este ardor
nos pingos de cada olor
que evanesce dentro em mim...

Inútil mentira...
Na flor que se espalha,
mais sinto o rigor do teu não.

Inútil mentira...
Na mão que me orvalha,
desfaço em teu gozo paixão.

Inútil mentira...
Mais ouse dizer NÃO TE QUERO,
meus versos dirão QUERO-TE MAIS!


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 20 de dezembro de 2008 – 9:58hs.

tua rosa vermelha

serei rosa vermelha
e encantarei teu olhar, formosa;
agitarei tua paz
e escutarei teu mistério, atenciosa;
amaciarei tua pele
e enfeitarei teu bailar, charmosa;
envolverei teu pensar
e encontrarei teu desejo, dengosa;
oscularei teu pudor
e sugarei teu deleite, fogosa...

serei rosa! sempre rosa!
serei tua! sempre tua!
aliciarei teu amor
ao meu espinho pecado
e em doce iniqüidade
serei vermelha em paixão!


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 20 de dezembro de 2008 – 00:19hs.

amor! amor! amor!

O amor...
Ah! O amor!
Este interno
rebuliço,
este eterno
feitiço,
que faz,
desfaz
e refaz
minha vida!


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 19 de dezembro de 2008 - 22:27hs.

nos teus braços fui tudo!



Procurei-te tanto!
No fulgor de cada olhar
fui crepúsculo
e, no calor de cada beijo,
fui anseio.

Procurei-te tanto!
No furor de cada som
fui silêncio
e, no grito de cada lençol,
fui mistério...
Só nos teus braços
meu fulgor virou sol
e meu calor fez suor...
Só nos teus braços,
meu furor foi carnal
e, meu grito-prazer, foi de paz...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 19 de dezembro de 2008 – 18:13hs.

tua presença me fascina

em ti
somente em ti
nada temo
nada busco
nada reclamo...
em ti
somente em ti
sou desejo
plenitude
sou infinito em paz...


Sílvia Mota.
Escrita ao som de “Aquellos ojos verdes”, cantada por Juan Diego Florez.
Cabo Frio, 19 de dezembro de 2008 – 13:54hs.

rugas

enruguem meu rosto,
meu pescoço,
minhas mãos
e meu corpo, até...
mas jazam intactos
meu sorriso,
minh'alma
e minha fé!


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 17 de dezembro de 2008 - 4:12hs - madrugada.

tua volta

Foste embora,
sem brigas, sem explicações,
sem um último beijo
ou palavra de adeus.
Foste embora,
como se fosses logo ali
para voltar logo depois.
Mas, não voltaste,
foste embora...

Saíste de mim,
sem ao menos me deixar
um poema de adeus.
Foste embora,
sem ouvir minhas últimas notícias
ou saber das últimas lingeries
escolhidas carinhosamente
para enfeitar meu corpo
nas horas de ti...

Foste embora, sem despedidas,
para que eu esperasse tua volta
e te fiquei a esperar...

Beijaste tantas bocas bonitas,
mas não desejadas, eu sei,
eu sei, assim como eu
gozaste, faminto de mim,
em corpos estranhos
e teu corpo suado de lágrimas
tremeu por mim, eu sei,
eu sei, assim como eu...

Voltaste...
eu não diria, mas sempre quis.
Voltaste...
como se nunca houvesse o meio,
somente um antes e o agora.
Voltaste...
Continuas o mesmo,
mas a mesma, não mais sou eu...


Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 14 de dezembro de 2008.

Ahh!!! Eu, poeta!

Eu - poeta - amo densamente,
beijo, perdidamente,
entrego-me, loucamente...
Nada me é pequeno,
pois, vejo muito, em pouco!
Da alegria à amargura,
tudo é encanto ou drama em excesso!

Ser apaixonado - temo a morte livre,
pela simples ausência do viver
e, tremo, ao amor que não é livre,
- simplesmente -
por medo tolo de sofrer...
A mim - poeta - nada, em nada,
permanece no meio,
pois tudo é início ou fim!

Ignoro o Ódio e temo o Amor,
porque ornada de poesia
perpetro a palavra em ilusão,
ou um verso em flor;
porque, somente poeta,
faço do adeus uma saudade,
ou um desejo de morrer.

Passarinho forro - cobiço voar,
pelo simples sonho de ser livre
e, rejeito a prisão, que não seja,
- unicamente -
a dos braços da pessoa amada...

Eu - poeta-sonho - sofro!
Eu - poeta-razão - morro!
Sou completude insana!
Pelo engano de cobiçar o céu,
em sua plenitude,
rejeito-o, pela metade!
Por não dominar a arte
de ser um a dois,
escolho a solitude!

E, se, nessa busca, egoística,
desentendo a flor-mulher
que em mim habita,
por inteiro - despetalo -
mas, sugo a seiva nutriz
da verde cor do meu olhar
e, por inteiro - refloresço -
em meus poemas...

Perdoa, se penso e te amo!
Perdoa... mas sou poeta!


Sílvia Mota - "Poeta do Amor e da Paz"
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=5615
Escrito em Cabo Frio, 12 de dezembro de 2008 – 15:43hs.

eu, a primavera e o amor!

nada poderia ser diferente!
nasci na primavera:
sou flor! sou amor!

conclusivo!
sob junções e incisões,
só a primavera me traz tanto amor!


Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 2 de dezembro de 2008 - 19:40hs.

NOVEMBRO/2008

interlúdio

Partiste e voltaste.
Partiste mas não foste.
Voltaste sem teres partido.
Nada findou. Nada recomeçou.
O lapso temporal é ausência;
as dores, interlúdio,
simples elo
entre o antes e o depois...
e o depois é o agora!
Eu sei, sabemos:
sempre fui tua!
tu foste sempre meu!


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 30 de novembro de 2008 – 22:38hs.

quero-te ver

Esta paixão me agita...
sinto um fogo sutil
que me enleia
por dentre as veias
deste anseio
carnal.

Esta paixão me agita...
sinto um raio dúbio
que me cega
por dentre as vias
deste frêmito
sensual.

Quero-te ver
e por querer,
lasciva,
labiosa,
lívida,
febril,
eu tremo,
suspiro...
e quase morro...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 30 de novembro de 2008 – 2:47hs.

7 segundos em ti...

Te beijo
Te amo
Te quero
Te provoco
Te envolvo
Te mordo
Te possuo...
7 segundos em ti...
e sou tudo!


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 30 de novembro de 2008 – 2:06hs.

violência

Combato tua ausência
em verso e rima
e taças de oiro quebro
nas paredes do lembrar.
Por conta do meu desvario
sacrifico teu corpo
aos desejos estilhaçados
na minha saudade.

Combato teu desprezo
em verso e rima
e destruo teu não-te-quero
aqui deitada e quente.
Por conta do meu desatino
revolvo em bruxaria
a conversão do teu sexo
em coisa inútil, um quase nada...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 30 de novembro de 2008 – 1:51hs.

sou tão linda nos teus braços!

euluamar

Senhora de ricas essências,
em régio perfume
e ilusória vestimenta,
saboreio as delícias do teu riso...

Nua de rosas transparentes,
sinto um fogo sob a pele
e, ao sabor da tua vida,
num entre dentes,
te rasgo e te mordo
e te saboreio todo!

Maquiada de sonhos cristalinos,
sinto um calor nas veias
e, para levá-lo à morte,
num entre línguas,
te chupo e te sugo
e me revelo toda!

És meu deleite... sou teu encanto...
Ditosa vampira, suspiro...
Nem as deusas se igualam a mim!
Sou tão linda nos teus braços!


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Sílvia Mota - "Poeta do Amor e da Paz"
Cônsul dos Poetas Del Mundo em Cabo Frio
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=5615
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Cabo Frio, 29 de novembro de 2008 - 23:58hs.

escraviza-me liberta!

quero ser escrava dos teus braços
e ninguém ficará mais preso,
quando preso,
do que eu
- demente -
aos teus abraços!

quero ser escrava dos teus desejos
e ninguém ficará mais livre,
quando livre,
do que eu
- alucinada -
aos teus apelos!


Sílvia Mota
Cabo Frio, 29 de novembro de 2008 – 20:08hs.

em algum lugar do passado...

sinto distintamente!
em algum lugar do passado,
numa flor de jasmineiro,
embalsamei meus pecados
acendidos nos teus braços...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 29 de novembro de 2008 – 13:12hs.

o único homem que me calou...

Só em ti
fui pétala de flor
em olor
e, na maciez
da minha tez,
teu amor
avivou
minha cor,
ruborizou
meu batom,
amainou
meu som
e me deu
outro tom...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 28 de novembro de 2008 – 1:55hs.

paixão silenciosa

Nos teus braços fui paixão silenciosa,
daquela que nasce num arroubo de amor
e se eterniza no encanto do depois...

Nos teus braços fui grito silencioso,
daquele que nasce no lamento dos lençóis
e se perpetua no tumulto das estrelas...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 27 de novembro de 2008 - 8:42hs.
Prova de MED-turma calma...

reencontro

encontrei teu nome
no mundo virtual,
ouvi tua voz,
ouviste a minha,
tremeste, tremi,
ambos em frenesi...
espero-te aqui,
me queres aí,
no mundo real.

Se o passado fez história,
não se perderá nenhum sonho...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 27 de novembro de 2008 - 1:55hs da madrugada.

para sempre no teu olhar

quando entrelaçares teu corpo meu
ao de outra que não seja eu,
fecha-lhe teus olhos em frenesi,
para que não me veja dentro de ti

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 23 de novembro de 2008 – 18:02hs.

lê meus poemas devagar


Lê meus poemas devagar,
como se me soubesses quem sou,
e me sentisses mulher
num canto macho de ti...

Lê meus poemas devagar,
como se me fizesses dormir,
enfeitiçasses meu olhar
ou anoitecesses meus cabelos

Lê meus poemas devagar,
como se me cerrasses a boca,
alisasses minha pele
ou aquietasses meus pelos...

Lê meus poemas devagar,
como se me lambesses a orelha,
lisonjeasses meu pescoço
ou mordiscasses meus seios...

Lê meus poemas devagar,
como se me esculpisses o umbigo,
burilasses minha virilha
ou transpusesses meu anseio...

Lê meus poemas devagar
como se me apertasses nas coxas,
acarinhasses meus joelhos
ou engalanasses meus pés...

Lê meus poemas devagar
como se me adentrasses o corpo,
fotografasses meu deleite
ou transcendesses meus sonhos...

Lê meus poemas devagar
como se me poupasses a vida,
armazenasses meus suspiros
ou reverenciasses meus medos

Lê meus poemas devagar,
como se me ajeitasses na boca,
e me sentisses esvair
prá bem além dos teus ais...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 23 de novembro de 2008 – 5:41hs.

virtual vivo


Eu descobri seu compasso
em um planeta virtual
e enveredei nesse espaço
prá ouvir seu canto fatal.

Tanto neguei beijo quente,
tanto fugi desse braço...
prá me perder de repente
na compressão do seu laço!

Com olhos verdes em flor
sinalizei prá você,
os meus caminhos no amor,
e fiz nem bem sei porquê...

Sabias o jogo meu-teu,
e o seu-teu-meu ninguém vê:
pois se a sua senha sou eu
a minha senha é você.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 23 de novembro de 2008 - 2:08hs.

jamais esquecerei

jamais esquecerei
os beijos de paixão que tu me deste,
o aroma do teu corpo em minha cama

jamais esquecerei
os cantos de amor que me cantaste,
o conto do teu sonho em minha vida

jamais esquecerei
as farpas de amor que me fincaste,
o espinho do teu som em minha face

jamais esquecerei
as mentiras de amor que me disseste,
o açoite do teu tempo em minha história

jamais esquecerei...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 23 de novembro de 2008 – 00:19hs.

e só querias meu silêncio...

querias
o invólucro rútilo
da quimera,
mas fui fera,
pantera;
fiz barulho
no teu prazer

querias
o purpúreo filo
do meu poente,
mas fui candente,
demente;
fui gorgulho
no teu beber

querias
o fidalgo estilo
d’alma incógnita,
mas fui pepita,
bonita;
fui orgulho
no teu querer

querias
o doce sigilo
da vestal,
mas fui carnal,
carnaval;
fui marulho
no teu fazer

só querias meu silêncio,
te dei meu grito...
eu não sabia...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 15 de novembro de 2008 – 13:07hs.

requinte

enrola teu pensamento
nos cabelos soltos
dos meus versos
e faça deles a crina
da tua montaria

chicoteia cada rima
escondida no silêncio
do meu canto
e rasga a blusa sensual
da minha poética

beija as verdades ocultas
nos buracos guturais
do meu corpo
e morda cada palavra
das minhas mentiras

encosta teus apelos
na parede nua e crua
da minha inspiração
e arromba as dobras nocivas
dos meus segredos

uiva teus uivos todos
na animália exangue
do meu estro solto
e afoga os lumes incendiados
das minhas crepitações

afina a ponta do lápis
nas alamedas trôpegas
do meu sentir e, se errei,
reescreva meu poema livre
na cadência das estrelas

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 13 de novembro de 2008 – 01:34hs.

divisão e oposição

Sem ti,
sou alma inane,
ao mesmo tempo
sutil e mordaz,
mulher e não mulher,
séria e falaz,
que fecunda e se esgota;
efígie sem contorno,
que cintila no escuro.

Sem ti,
sou alma inane,
ao mesmo tempo
frágil e abducente,
mãe e não mãe,
cega e clarividente,
que ouve e não ouve;
imagem sem reflexo,
que anuncia em silêncio.

Sem ti,
sou alma inane,
ao mesmo tempo
quieta e rumorosa
santa e não santa,
inerme e sestrosa,
que sente e não sente;
altar sem reverência,
que germina na fé.

Sem ti,
sou alma inane,
ao mesmo tempo tudo...
ao mesmo tempo nada...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 12 de novembro de 2008 – 21:50hs.

aceito teu nada por inteiro - [arrumar - 2 de novembro de 2008]

aceito teu nada por inteiro


não fujas de mim:
se não me podes dar tua alma,
aceito a solitude do teu corpo,
se no momento em que arfar no meu
se faça meu por inteiro!

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 2 de novembro de 2008 – 13:05hs.

DOIS POEMAS: "descobri que todos os meus poemas são teus" e "ambiguidade"

DESCOBRI QUE TODOS OS MEUS POEMAS SÃO TEUS

Descobri que todos os meus poemas são teus...
pouco importaram os olhares, os sorrisos, as línguas,
os beijos, os abraços, os corpos, os apertos e as fotografias...

Sorriso com a lascívia do teu, nunca encontrei jamais,
foram errantes os beijos, estéreis as salivas
e boca nenhuma cobiçou em tal cobiça a minha boca...

De todos os abraços, sequer um se justapôs ao teu,
foram fracos os corpos, inermes os encaixes
e ninguém me fotografou como a luz do teu olhar...

Pouco importaram os ribeiros, os francos e os santos,
os felintos felinos, os oliveiras, o tempo dos bontempos,
os duques nas estradas e os carvalhos da vida...

Descobri que todos os meus poemas são teus...
pouco importaram os olhares, os sorrisos, as línguas,
os beijos, os abraços, os corpos, os apertos e as fotografias...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 9 de novembro de 2008 - 23:13hs.

*************************

AMBIGUIDADE

ser ambíguo e sensual,
és Urano e Plutão,
príncipe e demônio:
delírio em tormento


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 8 de novembro de 2007 – 12:51hs.

DOIS POEMAS - hipérbato do teu querer e teu corpo em mim serpente

hipérbato do teu querer

Julgo que os deuses imortais,
por me quereres como queres,
te concederam a graça de me ter,
por merecimento teu ou meu.


Quarteto.
Sílvia Mota.
Cabo Frio, 3 de novembro de 2008 – 12:30hs.

**************************


Deitas... ao solo deitas e ali, distante,
repousas, distante, em aprazível torpor...
Oculta... ao lado oculta e ali, atenta,
aguardo, atenta, o teu descuido...
Enquanto fechas tu, os olhos, sonhador,
esgueiro-me, fatal, ao teu encontro,
suave, sôfrega, sonsa, sibilina
e esfrego minha pele nua, resvaladia,
ao teu corpo chão que chia,
submersa em gutural e lúbrica paixão...

Primavera nômade de retorcidas cores,
retorço-me em abalos sísmicos
e te ofereço em curvas escamosas
u’a vibrante língua projetada ao ar...
Eu, serpente, então, procuro-te na serpente
altiva e enrijecida, erigida no teu corpo...
serpente apetitiva, serpente que me atrai,
golpeio-a certeira, jugulo-a aos meus encantos...
Salivo no teu sentir e salivas solícito no meu
em lascívia, furor e dor...

Devoro tua serpente
e a tua me devora a mim...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 3 de novembro de 2008 – 12:18hs.
Reformulada em 11 de novembro de 2008 – 23:13hs.

eco erótico

seu sexo no meu:
umedece
enrijece
desobedece
ensurdece
endoidece
intumesce
enlouquece
enfurece
estremece
e acontece...
...........................
enfraquece
arrefece
amolece
desfalece
e emudece...
...........................
reabastece
oferece
e me enternece...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 1º de novembro de 2008 – 16:03hs.

assíndeto poético

e, eu mulher, sem ti,
hei de morrer de amor:
sem paz!
sem fé!
sem luz!
sem cor!
sem voz e vento!

e, eu amor, sem ti,
hei de morrer mulher:
sem mãos!
sem língua!
sem beijo!
sem corpo!
sem gosto e gozo!

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 1º de novembro de 2008 – 14:41hs.

anacoluto poético

eu, se não me sei sem ti,
procuro-te nos sons,
nos ais, nos mais...
eu, se não me sei sem ti,
procuro-te na paz,
nos mais, nos ais...
eu, se não me sei sem ti,
nem mais me sei em mim

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 1º de novembro de 2008 – 14:07hs.

"quero teu tudo" e "pleonasmo e paradoxo poéticos"

QUERO TEU TUDO

teu passado,
teu presente,
teu futuro,
tua verdade,
tua mentira,
tua alegria,
teu dissabor,
tua alma,
teu corpo,
teu poema,
tua injúria,
tua coerência,
tua insensatez,
tua coragem,
teu medo,
tua inocência,
teu pecado,
teu gosto,
teu nada...
me dá teu tudo!

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 1º de novembro de 2008 – 9:49hs.

*********************

PLEONASMO E PARADOXO POÉTICOS

Amei-te com tanto amor,
que deste amor tão amado,
de tanto amar-te no amor,
nasci morrendo em teus braços.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 2008.

OUTUBRO/2008

DOIS POEMAS: "só teus beijos, nada mais" e "eu e teu eu"

SÓ TEUS BEIJOS, NADA MAIS

Beija-me,
beija-me toda,
com todos
os teus beijos todos!


Sílvia Mota.
29 de outubro de 2008 - 2:38hs.

**************************

EU E TEU EU

Eu, se não me importa nunca o teu viver cigano,
Tu, ao meu passado choras, maltratando em dor.
Eu, se me reviro em luz e me rebolo em flor,
Tu, no meu fazer de paz provocas-me profano.

Eu, se me transmuto em cor e ao teu sorriso abrando,
Tu, ao meu contato ruges, lisonjeando vinhos.
Eu, se me deito ao teu som, fazendo-te carinhos,
Tu, no meu rugido lúbrico me és vil, nefando.

Eu, se não me sei sem ti, eu sei, nem mais me sei em mim.
Se te não me tens em ti, não deito em teus lençóis,
pois se não me tens amor, não mais te quero abrigo.

Sem ti eu me debuxo em som, sou rude dor-jasmim.
Se neste texto te crio e minha afeição destróis,
se meu deleite pontuas, sigo em ti... em ti prossigo.

Sílvia Mota.
Cabo Frio.
Início: 23 de outubro de 2008 – 14hs
Término: 11 de novembro de 2008 – 21:44hs.

DOIS POEMAS: "anáfora poética" e "elegia à melancolia do teu olhar"

ANÁFORA POÉTICA

qual dos amores tive que não me teve nunca;
qual dos amores todos me açodou a alma;
qual vermelhas as flores desses amores todos;
qual delas me enterrou no peito o furor do espinho?


Quarteto.
Sílvia Mota.
Cabo Frio, 22 de outubro de 2008 – 23:40hs.

**********************************

ELEGIA À MELANCOLIA DO TEU OLHAR

Teu olhar é melancolia
e uma grande melancolia;
sombrio e sincero, sente em sedução
o luar em olhar marginal.

Teu olhar é melancolia
e uma grande melancolia;
negro negrume, é nova narração
do amor em rumor animal.

Teu olhar é melancolia
e uma grande melancolia;
sonho sonhado em só solidão,
sombra que assombra um instante floral.

Teu olhar é melancolia
e uma grande melancolia;
parte na primavera perdido em perdão
e regressa egresso ao chamado invernal.

Teu olhar é melancolia
e uma grande melancolia;
da primavera ao inverno, é melancolia
e uma grande melancolia...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 22 de outubro de 2008 - 18:36hs.

QUATRO POEMAS - "efêmero imortal", "desencontro", "suicida" e "perder-te foi a minha perdição"

EFÊMERO IMORTAL

tu foste tu e efêmero
o teu pecado em mim;
eu fui além de mim:
só fui poeta em ti


Quarteto.
Sílvia Mota.
Cabo Frio, 17 de outubro de 2008 - 13:50hs.

********************

SUICIDA

quero matar
meu corpo no teu:
de prazer e cansaço!

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 17 de outubro de 2008 – 10:43hs.

********************

DESENCONTRO

Aonde quer que eu vá
em ti,
jamais te encontro
em mim.


Quarteto
Sílvia Mota.
Cabo Frio, 17 de outubro de 2008 – 10:24hs.

********************


PERDER-TE FOI A MINHA PERDIÇÃO

Ao te perder,
perdi os meus amores todos.

Perdi as vozes esquecidas
no lamento do tempo,
os cantos nunca ouvidos
no trilar dos pássaros,
os gemidos sufocados
no furor dos lençóis...

Ao te perder,
perdi os meus amores todos.

Perdi os olhos e as bocas todas,
todos os olhares e os meus beijos todos;
perdi as línguas e os braços todos,
todos os sugares e os abraços todos;
perdi as pernas e as virilhas todas,
todos os arrochos e as insônias todas...

Ao te perder,
perdi os meus amores todos.

perdi os caminhos de flores
nos endereços da vida,
os comandos varões
na ária fêmea de mim,
o estro sensual de ti
e só me tenho a mim.

Ao te perder,
perdi os meus amores todos!


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 17 de outubro de 2008 – madrugada – 3:04hs.

********************

FUSÃO

serei lua no teu céu,
serei céu ao teu luar,
não sei nem mais quem eu sou,
nem ao menos quem tu és...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 17 de outubro de 2008 – madrugada – 2:10hs.

DOIS POEMAS: "te quero" e "súplica"

TE QUERO

Te quero, tanto te quero,
te quero, porque te quero.

No meu cortejo à tua alma,
espalhei-me entre espinhos
e ao desvendar teus desejos,
fui teu mundo de delícias.

No meu passeio ao teu corpo,
revelei-me meretriz
e por acolher teus apelos,
fui mulher e flor e dor.

Te quero, tanto te quero,
te quero, porque te quero.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 16 de outubro de 2008 – 23:46hs.

*****************

SÚPLICA

nega-me tua voz e o teu canto,
nega-me teu corpo e encanto,
até ser e não ser,
até ter e não ter...
mas, te suplico,
não me negues esse olhar!

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 16 de outubro de 2008 – 23:03hs.

lágrimas não voltam para o mar

se cristalinas águas brotam-me dos olhos
e da saudade surgem, vertidas por ti,
não lhes permito voltem nunca mais pro mar:
bem no meu peito oculto este chorar por ti.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 8 de outubro de 2008 – 19:29hs - reformulado: 22:08hs.

olhos que amei...

ETERNO AMOR: AZUL INIGUALÁVEL
Minha infância e adolescência foram pautadas
nas músicas que você compunha, no som do seu piston...
E foi no seu olhar que descobri o azul
jamais encontrado em nenhuma das minhas palhetas.

AMOR PERDIDO PREMATURAMENTE
Seriam castanhos ou seriam negros?
Não... não me recordo qual a cor destes olhos,
mas posso sentir a força que deles emanava...
Era pequena demais
para entender
a falta que você me fez...

PURO AMOR: AZUL TRANSPARENTE: AMEI, AMEI, AMEI...
O teu amor escravo de mim...
Explorei ao extremo aquele amor...
Fiz de ti, através dos teus gestos,
o escravo convicto das minhas paixões...
Te sorria e te chorava
e com isso te encantava...
e me ninavas e amavas...
e eu te sorria e amava...

PECADO ORIGINAL: AZUIS DA COR DO CÉU
Meus ciúmes nasceram em ti
Tão pequena e possessiva
teu amor deveria ser meu
e de mais ninguém...
Tão menina e vingativa,
deixei de te olhar,
quando olhaste outro alguém...
Depois, vieste sorrindo,
docemente, ainda me lembro...
e ao sabor da tua palavra
sucumbi e me entreguei
ao charme profundo e ardente
da luz do teu bonito olhar...
Mas, desde então,
não sei o por quê,
associei o meu amor aos meus ciúmes...
Cabo Frio, 22 de outubro de 2008 - 19:46hs.

AMOR PRIMAVERIL: ESVERDEADOS... INIGUALÁVEIS
Desejaria mirar as paisagens no horizonte,
bem além que o próprio além,
tendo os olhos cheios de perguntas
me encontrando nas respostas!..
Olhar a praia imensa,
branca... tão branca como tela virgem,
onde alguém rabiscou com maestria
as ondas grandes, o céu, coqueiros,
jangadas
e até barquinhos de papel!
Pular maré com ilusões,
fugir da horrível saudade,
brincar de esconde-esconde com o amor...
Passar de estrela em estrela,
vestir-me de lua,
procurar no céu escuro
um sonho meu que fugiu durante o dia
nas asas brancas, prateadas
do passarinho ilusão!
Olhar o mar, cantar estrelas,
brincar de amor, sorrir sonhar...
Mas não com esta minh'alma hoje consciente
da inocência dos seus olhos de criança.
Olhos cheios de perguntas,
mas vazios de respostas!..
Sílvia Mota. Piquete, 1966.

POÉTICA INOCÊNCIA: OLHOS CASTANHOS
Não foste, para mim,
nada mais do que pudeste ser:
meu primeiro namorado;
e eu te fui um pouco mais
do que não queria ser:
tua saudade...
Cabo Frio, 22 de outubro de 2008 - 20:32hs.

PLATÔNICO E INOCENTE DESEJO: OLHOS CASTANHOS
Fui teu pônei encantado - fugidio -
e foste o titã da minha adolescência...
Encantei-me co'a força dos teus braços,
em contraste à ternura do teu olhar.
Vi a beleza de ti
onde ninguém te via.
Fui tua fantasia
onde nunca foste meu,
foste meu sonho
onde não poderia jamais ser tua...
Pureza sensual...
sensual pudor
de mim e de ti...
e um nunca mais...
Cabo Frio, 22 de outubro de 2008 - 20:29hs

TRAIÇOEIRA DESILUSÃO: OLHOS CASTANHOS
foste a primeira traição
e findaste por ser
a primeira desilusão

PERIGO SENSUAL: OLHOS NEGROS
Ahnn! Teu olhar no meu olhar:
descoberta e maldade da inocência em fragor!
Ah! Teu olhar no meu sonhar:
efêmero estampido na minha eternidade!
Cabo Frio, 22 de outubro de 2008 - 21hs

DOCE E ALEGRE PAIXÃO: OLHOS COR DE MEL
Eras do tempo...
O sorriso da primavera seria mais bonito
se tivesse o formato da sua boca.
A alegria do verão seria eterna
se o sol brilhasse como o brilho dos seus olhos.
As folhas do outono cairiam para sempre
se pudessem eternamente cobrir a pele que recobre o seu corpo.
O choro do inverno seria menos triste
se nos invernos todos desta minha vida,
tivesse você por inteiro...
e, com você, o Amor!
Sílvia Mota, primavera 1985.

PAIXÃO, PERFEITA PAIXÃO: OLHOS AMARELADOS
não consigo imaginar teu sorriso
fora do alcance dos meus olhos,
nem essa alma brincando
em outras nuvens que não sejam
as do céu que conquistamos juntos...
Primavera, 1988.

VERDADEIRO AMOR: OLHOS CASTANHOS

AMOR? PAIXÃO? AMOR? ATÉ HOJE, NÃO SEI DIZER: OLHOS CASTANHOS
Delírio de amor
Nos delírios da minha juventude,
nunca te vi, nunca te vi,
porque nem sonho eras...
em meus quarenta,
jovem belo te encontrei,
e folgamos no amor e na paixão.
Por sinuosos espaços da vida
eu bem-te-vi, mas, mal-te-vi,
em meus cinqüenta,
jovem velho te perdi.
Sílvia Mota. Rio de Janeiro, 25 de setembro de 2004.

MELANCÓLICA SEDUÇÃO: OLHOS DA COR DA ALMA

SETEMBRO/2008

momentos

paradoxo

és inocente amante
em corpo gigante
e eu sou mulher
no amante perfeito,
de carne gostosa
em corpo menino

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 4 de setembro de 2008 – 3:21hs.

AGOSTO/2008

JULHO/2008

se fores embora

jamais saberás de mim
nem eu de ti...
se te fores embora,
não poderei impedir,
mas se ficares,
não te arrependerás.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 15 de julho de 2008 – 10:39hs.

te amei

amei
e não te amei
amei em ti
o que sempre
amei em mim
fui tua
e ao mesmo tempo
fui eu sem ti

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 14 de julho de 2008 – 12:04hs

faz cheirar

faz cheirar faz exalar, selvagem,
aroma delicioso,
dessa planta enrijecida,
tenaz de vida:
cheiro-gosto de acre,
acre doce,
agridoce.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 9 de julho de 2008.

mais uma primavera

jazo apaixonada
e, nesta primavera,
como flor-rainha,
encantarei teu jardim
e tua pele se arrepiará
ao meu perfume

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 9 de julho de 2008 – 13:48hs.

JUNHO/2008

DOIS POEMAS: traição e etapas

TRAIÇÃO

não te amei,
mas sempre te desejei amar;
amei e amo
quem nunca te contei amar;
a ele, amei, por inteiro,
no pouco que vivi em ti


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 26 de junho de 2008 – 21:49hs

******************

ETAPAS

vivi sem ti
nasci
mas não fui eu sem ti

encontrei-te a ti
renasci
e me senti em ti

perdi-me em ti
morri
por não me guardar em ti

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 19 de junho de 2008 – 12:35hs.

ciúmes

sinto ciúmes
do prazer das peles fêmeas que te causam sensação
e dos fragores das unhas que te cravam na emoção,

sinto ciúmes
dos aromas florais que te embebedam o olfato
e da bruteza do abraço que te faz um macho nato,

sinto ciúmes
do sabor da água fria em tua alma barroca
e da sôfrega lascívia da saliva em tua boca,

sinto ciúmes
do calor da água quente no teu corpo a se espelhar
e da maldade das fotos que provocam teu olhar,

sinto ciúmes
do sabor de cada fruta que te excita o paladar
e do som acrisolado dessas vozes que açodam teu cantar,

sinto ciúmes
do fervor da luz solar que te requenta os dias
e do estrondear do trovão que te trás arritmias,

sinto ciúmes
do prazer primaveril da fina flor que te me furtou a presença
e do lamento do espinho que me perfura em descrença.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 13 de junho de 2008 - sexta-feira – à tarde.
Reformulada em 25 de setembro de 2008 – 18:28hs.

quando te fores embora...

não terás meu amor,
minha fidelidade
e nem minha língua de fogo,
que não queima,
mas te envolve
e enlouquece...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 1 de junho de 2008 - 22:38hs.

MAIO/2008

vaidosa

minha vaidade-fêmea
é volúvel e - perigosa –
consegue destruir meu amor...
necessito da admiração do teu olhar,
ou irei embora...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 24 de maio de 2008.

macho-bicho sensível

Macho-bicho:
sensível, gostoso e apaixonante;
Bicho-macho:
arrogante e falacioso.

Sou fêmea-bicho:
realizo-me no primeiro.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 24 de maio de 2008 - 1:30hs da madrugada.

jamais saberás

jamais saberás,
se fui verdade em mentira,
ou mentira na verdade;
se gozei nos teus abraços
ou me abracei ao teu gozo.

jamais saberás,
se salivei no teu gosto
ou meu gosto te entreguei;
se me perdi no teu sexo
ou teu sexo desvendei.

jamais saberás,
se inspiraste meus poemas
ou se me fiz teu poema;
se no homem me encontrei
ou me encantei no poeta.

jamais saberás,
só eu sei.

se certeza tiveres de que sabes,
nem sabes que não me soubeste.

jamais saberás,
só eu sei.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 8 de maio de 2008. - 16:32hs.

DOIS POEMAS: "és arte no meu corpo" e "sou fêmea-bicho"

ÉS ARTE NO MEU CORPO

madrugada...
lingerie vermelha pelo corpo,
na boca, gemido em carmim,
no colo, orvalho em perfume
e, neste embalo, me baloiço,
te sonho e me faço arte...


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 5 de maio de 2008 - madrugada: 4:30hs.

*********************

SOU FÊMEA-BICHO

Sou fêmea-bicho,
ser bicho-fêmea não sei.
És desejo,
sou amor-desejo.
Tô indo...
Se não podes ser amor,
não me chames, por favor!

Sílvia Mota.
Cabo Frio, maio 2008.

ABRIL/2008

desejo de sexo-amor

quando está a fim de fazer sexo-amor,
veste-se de verde, corre pra mim...
e tira a roupa do corpo...
pra se vestir de amor
e me subjugar na paixão
que extravasa do teu sexo...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 1º de abril de 2008 - 12:54hs.

foto da discórdia

a foto rosada
da mulher deitada
te enfeitiçando o olhar
incitou-me à vingança

nesta tentativa
de ser agressiva
perdi teu cantar:
desfaleço em lembrança
e, mesmo sem ti,
permaneço tua

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 28 de abril de 2008 - 10:18hs.

te quero

sinto saudades
do teu olhar,
da tua poesia,
daquele roxo
marcando a nossa pele...
te quero...

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 27 de abril de 2008 - 2:04hs.

você me acende

olha
convoca
excita
instiga
e ressuscita...
decididamente
você me acende...

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 27 de abril de 2008.
Rádio-madrugada: 1:19hs.

qual beijo procuro?

procuro
um beijo amor
e paixão
um beijo doce
e meloso
um beijo gostoso
e fogoso
um beijo teu...
só meu.

Rio de Janeiro, 27 de abril de 2008.
Rádio - madrugada: 00:55hs.

como deixar de te amar?

Sonhei e,
nesse idílio,
te amei,
sem perceber
que não podias
ou não querias amar.
Agora,
como esquecer tudo,
se em tudo te amo?..

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 26 de abril de 2008 - 15:06hs.

olha prá mim

Olha,
olha-me assim!
Olha,
olha-me sem fim...
Enfrento-te
em cada curva
que te dou ao teu olhar!
Desnuda-me,
vem e me encurva,
pois me dou ao teu cantar!

Veste a lua,
me faz nua,
me faz nua crua e tua.
Despe a lua,
me faz crua,
me faz crua lua e tua.

Olha,
olha-me assim!
Olha,
olha-me sem fim...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 4 de abril de 2008 - madrugada: 1:39hs.

arco-íris verde

meu olhar verde
transpira,
minha alma floresta
expira...

novo arco-íris risca o céu
de verde e espera: você!


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 12 de abril de 2008 – 23:46hs.




Sílvia Mota.
Cabo Frio, 1º de abril de 2008 - 11:22hs.

MARÇO/2008

personificação poética

ontem:
cama vadia
amava a cada dia
em ricos lençóis,
ao calor
do sabor
de uma lente além sóis...
hoje:
cama vazia
amarga a cada dia
em triste verdade,
onde a dor
por amor
fotografa a inverdade...
amanhã:
vida repleta
dos sons
e dos sentidos
dos meus ais
e dos teus mais...
sempre:
ininterrupta
espera.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 28 de março de 2008 - madrugada: 00:56hs.
Reformulada: 26 de setembro de 2008 - 16:52hs.

eufemismo do adeus

Adjudicaste meus abraços ao acaso
e meus beijos aos espinhos,
ajardinando-se meu espírito
na saliva quente da ausência:
tua realidade voou dos meus sonhos.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 28 de março de 2008 - madrugada: 00:17hs.

sou tua flor

sou tua flor
fêmea-olor
suco-precioso
jeito-gracioso
sexo-gostoso...
ao teu sabor
ignoro a dor
de não ser teu amor...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 26 de março de 2008.

escondo-me e te encontro

procuro esconder-me
na parte mais reta e dura
do teu corpo
e te faço desabrochar
no triângulo exotérico
da minha vergonha

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 26 de março de 2008 – 14:31hs.

meu homem maduro

no esplendor do teu canto
eu me enrolo e me encanto
e ao fulgor deste olhar
eu me pego a te amar.

no sabor do teu leite
jaz o cheiro em deleite
de uma vida em ar puro.

és delírio em tesão
és meu ser-sedução
és meu homem maduro.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 26 de março de 2008 - 18:11hs.
Presente de aniversário atrasado.

és assim

sabor de leite
e cheiro de vida,
olhar de tesão
em magia
e sedução:
homem maduro.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 25 de março de 2008.

cansaço

cansei da loucura
cansei da tortura
e da fartura
virtual
sem prumo
e sem rumo
do teu olhar

desejo a ternura
e a nervura
safada e pura
real
do toque presente
fremente
passível de amar

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 25 de março de 2008 - madrugada.

sinestesia poética

ao colocar meu corpo em tuas mãos,
desvenda-me o paraíso
que transcende os sofrimentos
e as dores do Universo:
da magia do teu toque,
saberão as rosas,
os rouxinóis
e nós...

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 17 de março de 2008 - 16:16hs - segunda-feira.

fim

as correntes negras subornadas
para libertar meu sexo
no teu corpo...
ah! essas mesmas correntes,
aprisionaram minh`alma
na tua palavra:
é o fim...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 13 de março de 2008 - 15:45hs.

"és um vulcão, menina!"

"és um vulcão, menina..."
Mouro H. C.
Rio de Janeiro, 5 de março de 2008
__________

Sou teu vulcão?
Tua palavra se transforma
em lava quente
e, a demarcar domínios,
escorre e escolhe
os caminhos do meu corpo.

********************************************************
Sílvia Mota - "Poeta do Amor e da Paz"
Cônsul dos Poetas Del Mundo em Cabo Frio
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=5615
********************************************************
Cabo Frio, 6 de março de 2008 - 11:17hs.
Foto do vulcão indonésio do Monte Merapi, na Ilha de Java. Erupção de 2001.
Fonte de pesquisa: http://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/111_vulcao/page4.shtml

metáfora poética

METÁFORA POÉTICA


teu corpo é luz, tua alma é mansa:
sedução e passarinho engaiolado;
sou teu reflexo e tua liberdade:
arco-íris e chave da tua alma enluarada.


Sílvia Mota.
Cabo Frio, 6 de março de 2008 - 10:56hs.

FEVEREIRO/2008

mulher poema

sou mulher poema,
sou fêmea em tesão
e me faço seu tema,
mas, sem atenção,
elimino você, sem pena,
do meu coração.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 27 de fevereiro de 2008 - 16:18hs – quarta-feira.

te quero tanto

te quero tanto, tanto,
que vendo esta minh’ alma
só para me esconder
na paz do teu prazer

Sílvia Mota.
Cabo Frio, domingo, 24 de fevereiro de 2008 - 9:50hs.

meu bolero e meu tango

és meu bolero mais sentido:
ao teu balanço,
minh’alma transcende a matéria
e vira sonho de paz

és meu tango favorito:
ao teu toque,
eu me desmancho em corpo-carne
e gosto de tesão.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 24 de fevereiro de 2008 – domingo - 8:52hs.
primeiro poema do ano, ao som de Cavalgada.

JANEIRO/2008

livre

eu avisei...

eu avisei...
cuida de mim e do meu amor,
sacia este desejo louco
de te ter agora
e daqui a pouco também...
eu avisei...
se me deixas pensar,
e ficar sozinha, sem ti,
irei embora...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 2 de janeiro, de 2008 – 20:57hs.

DEZEMBRO/2007

paraíso

a maçã que me ofereces
é do pecado ou do amor?...
sendo pecado, eu seguro,
se for do amor... nem te conto!


Sílvia Mota.
Cabo Frio,19 de dezembro de 2007 - 17:02hs.

menino amante

em ecos do passado,
ardente me chamas
e, ao teu chamado,
minha carne estremece:
irei ao teu encontro...
espera...

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 9 de dezembro de 2007 - 9:50hs.

NOVEMBRO/2007

livre

lapso temporal

arritmia
te amei eu e te encantei
na aurora de outrora

nostalgia
chorei eu na boemia
fui embora fui embora

outrodia
cantei eu e te implorei
um caso no acaso

extasia
dancei eu e te encontrei:
aurora no ocaso

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 11 de novembro de 2007 - 9:26hs.

sempre amor e paixão

amei outrora
na vida em aurora
e agora
ao acaso
u'a paixão extravaso
na vida em ocaso

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 11 de novembro de 2007 - 8:55hs.

desencanto

ao teu canto
eu me encanto
me agiganto
e te venero

sem teu canto
quase um canto
desencanto:
não mais te quero

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 10 de novembro de 2007 - 10:27hs/12:21hs.

fuga

escuta:
repugna-me
tua infelicidade,
teu desamor,
tua mentira
e tua apatia

fujo...
e, nesta fuga,
salvo-me de ti
e mantenho
meu sorriso,
meu amor,
minha verdade
e meus desafios
sempre.

Sílvia Mota.
Cabo Frio, 10 de novembro de 2007 - madrugada: 00:44hs.